Musical exige o máximo de seus atores
Igor Rickli e Negra Li em ensaio do musical Filipe Araújo/Estadão Contéudo Pioneiro entre as óperas-rock, “Jesus Cristo Superstar”, que tem previsão de estreia para o dia 14 de março, no Teatro do Complexo Ohtake Cultural, em São Paulo, exige do elenco o uso de todas suas qualidades, segundo os seus dirigentes. “Vocalmente, por ter o rock […]


Igor Rickli e Negra Li em ensaio do musical
Filipe Araújo/Estadão Contéudo
Pioneiro entre as óperas-rock, “Jesus Cristo Superstar”, que tem previsão de estreia para o dia 14 de março, no Teatro do Complexo Ohtake Cultural, em São Paulo, exige do elenco o uso de todas suas qualidades, segundo os seus dirigentes. “Vocalmente, por ter o rock como ritmo básico, o artista precisa chegar a notas muito altas, agudos que nem todos conseguem”, observa a maestrina Vânia Pajares. “Já a coreografia, especialmente criada para essa versão, é contemporânea e busca trazer os movimentos do cotidiano”, observa o coreógrafo Anselmo Zolla, que cuidou de todos os novos movimentos.
“Finalmente, o musical acompanha os últimos seis dias de Jesus, portanto, é necessária muita habilidade na interpretação enquanto são apresentadas canções”, completa o diretor Jorge Takla. O trio trabalhou uniformemente, a fim de que o conjunto mostrasse equilíbrio entre cantar, dançar e interpretar.
Vânia conta que as tessituras musicais desse espetáculo não são comuns no gênero. “A tradução da letra (feita por Bianca Tadini e Luciano Andrey) ajudou, pois colocou as sílabas certas para os agudos”, conta ela. Já a sofisticada coreografia de Zolla exige uma técnica apurada, para reproduzir os pequenos gestos do cotidiano.
Como se trata de um espetáculo com alta carga de emoção, Takla preferiu deixar que o elenco inicialmente exagerasse nas emoções para então começar o trabalho de lapidação. “São momentos muito fortes, emocionantes, então começamos com interpretações muito viscerais”, lembra. “Depois, com cada cena já depurada, todos perceberam até que ponto poderiam chegar sem passar do limite.”
Com isso, é possível notar que não apenas o trio de protagonistas sobressai (Igor Rickli é Jesus, Negra Li é Maria Madalena e Alírio Netto vive Judas), mas também o restante dos atores. Beto Sargentelli, por exemplo, que já participou de Mamma Mia! e A Família Addams e agora se divide em diversos papéis – ao viver o apóstolo Simão, ele oferece um momento notável e de rara sensibilidade.
Criado por Tim Rice (letras) e Andrew Lloyd Webber (melodia), o musical surgiu inicialmente como um disco e, quando chegou ao palco, tornou-se clássico por utilizar o rock como linguagem, estabelecendo de vez o gênero rock musical (que vinha sendo rascunhado no teatro desde os anos 60 e teve sua explosão em Hair, de 1968) e associando o rock’n’roll à rebeldia libertária que Jesus representa para seus discípulos.
Jesus Cristo SuperStar – Teatro do Complexo Ohtake Cultural. R. dos Coropés, 88. 5ª e 6ª, 21 h; sáb., 17 h e 21 h; dom., 18 h. R$ 25/ R$ 230. De 14/3 a 8/6.
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