Parlamento da palavra: Elisa Lucinda evoca poder do verbo em São José

Poeta é convidada na segunda edição do Sarau do Vale, nesta terça-feira (31)

Escrito por: Do Meon3 min de leitura
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Atriz divide a mesa com o grupo D’Origem em papo sobre poesia e cidadania

Divulgação

Atriz, poeta, cantora e cozinheira nas horas vagas, a capixaba Elisa Lucinda mantém, na força do verbo, o elemento que dá liga a um variado universo artístico. Convidada da segunda edição do Sarau do Vale, que acontece nesta terça-feira (31), a artista pretende promover um “parlamento da palavra” durante o evento que começa às 19h30.

Entusiasta das artes como elemento fundamental para a construção de identidade, Elisa acredita que a palavra é o principal agente transformador de uma sociedade. A autora, que recentemente teve seu livro “A Menina Transparente” premiado como altamente recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infanto Juvenil,  não tem dúvidas de que a palavra é o principal elemento para a construção de identidade.

“Quem não sabe falar, não levanta a cabeça. É como se estivesse faltando um dente. Quando a pessoa se apropria do verbo, torna-se um cidadão de fato, questionador, sabedor de seus direitos. A palavra tem essa característica de empoderamento”, afirma.

O engajamento é, de fato, um elemento presente em sua vida. A poeta é fundadora da Casa-Poema, instituição que utiliza a poesia falada como ferramenta para a capacitação de pessoas em diferentes áreas profissionais. Em parceria com a Organização Internacional do Trabalho, Elisa também atua no projeto “Palavra de Polícia, Outras Armas”, que, também pelo caminho dos versos, levanta discussões sobre direitos humanos, questões de gênero e raça a profissionais de segurança.

“A minha arte, e eu sou uma mulher que vive dela, acontece em sua totalidade dentro dos conceitos de cidadania. O lugar da mulher na sociedade, o racismo presente em todas as esferas da nossa sociedade, tudo isso está nos trabalhos que desenvolvo. Não consigo pensar na arte de forma separada da cidadania”, afirma.

Quem não sabe falar, não levanta a cabeça. É como se faltasse um dente

Elisa Lucinda Poeta

Sarau
Se arte e cidadania estão tão intimamente ligados, pode-se esperar que o sarau desta terça-feira seja pautado também pela situação política e social que movimenta o país desde o ano passado. Portanto, cultura do estupro, direito da mulher sobre seu corpo e suas vontades, impeachment, democracia, ocupações e todos os ingredientes que engrossam o caldo desses dias de ebulição nacional estarão presentes.

“E como não falar sobre esses temas? Não dá para fugir. Os jovens hoje são verdadeiros guardiões dos direitos democráticos que lhe foram dados como herança. A ideia de uma república de favores, os conceitos do Brasil Colônia, essencialmente racista, isso tem que acabar. É uma geração que quer trazer os homens para o debate sobre feminismo, os brancos para debater o racismo. É um período que nos trará uma evolução muito grande de pensamento”, diz

O evento, que contou com a presença do rapper Emicida em sua primeira edição, terá mais duas representantes do hip-hop desta vez: Meire MC e Preta Ary, que integram o grupo D’Origem. A mediação continua sob a batuta do jornalista Filipe Manoukian.

As entradas são gratuitas, porém é preciso retirar os ingressos com uma hora de antecedência. Mais informações podem ser obtidas no site do Sesc São José dos Campos.

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