Operação Fluxo Oculto mira esquema bilionário de combustíveis adulterados ligado ao PCC

Fintechs e desvio de nafta são principais alvos

Escrito por: Rubens Baracho3 min de leitura
Fluxo Oculto

Órgãos de investigação e controle deflagraram, na manhã desta quinta-feira (28), a Operação Fluxo Oculto, nova fase da Operação Carbono Oculto, que apura um esquema de fraudes fiscais, lavagem de dinheiro e adulteração de combustíveis com suposto envolvimento do PCC (Primeiro Comando da Capital).

A ação é coordenada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público de São Paulo, em parceria com a Receita Federal, a ANP (Agência Nacional do Petróleo), a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e a Procuradoria-Geral do Estado.

O cumprimento dos mandados conta ainda com apoio da Polícia Militar e da Polícia Civil.

Segundo os investigadores, organizações criminosas utilizavam fintechs, fundos de investimento e empresas de fachada para movimentar recursos ilícitos e abastecer um mercado clandestino de combustíveis adulterados.

Desvio de nafta é alvo central da investigação

Um dos principais focos da operação é o desvio de nafta petroquímica, derivado do petróleo utilizado principalmente na indústria química e petroquímica para fabricação de plásticos, solventes e produtos químicos.

De acordo com o Gaeco, o produto estaria sendo desviado ilegalmente para distribuidoras e postos de combustíveis.

Por possuir custo inferior ao da gasolina, a nafta costuma ser utilizada em esquemas clandestinos de adulteração de combustíveis.

As investigações apontam que empresas de fachada simulavam compras legais de nafta junto a indústrias químicas. Oficialmente, o material teria destino industrial, mas, na prática, era encaminhado para terminais de armazenamento na Grande São Paulo.

Segundo a investigação, a substância era misturada irregularmente à gasolina antes da distribuição para postos ligados ao esquema criminoso.

Prejuízo milionário e lavagem de dinheiro

Ainda conforme as autoridades, além da venda de combustível adulterado, o grupo aproveitava diferenças tributárias entre a nafta petroquímica e a gasolina para reduzir custos e ampliar os lucros ilegais.

A Receita Federal estima que apenas esse núcleo investigado tenha causado prejuízo de aproximadamente R$ 200 milhões em tributos sonegados nos últimos dois anos.

As apurações também identificaram a criação de empresas em diversos estados para dificultar o rastreamento financeiro. Segundo o Ministério Público, parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até presos eram utilizados para registrar empresas em nome de terceiros.

Fintechs movimentaram R$ 26 bilhões

A investigação revelou ainda um sofisticado sistema financeiro paralelo utilizado para ocultar e movimentar recursos obtidos com as fraudes.

Segundo a Receita Federal, seis fintechs investigadas atuavam como “bancos paralelos” da organização criminosa e movimentaram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025.

Além disso, quatro fundos de investimento investigados possuem patrimônio estimado em cerca de R$ 205 milhões, segundo os órgãos responsáveis pela operação.

Mandados em vários estados

Ao todo, a Operação Fluxo Oculto cumpre 59 mandados de busca e apreensão com apoio dos Gaecos de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Paraná.

Segundo o Ministério Público, a nova fase da investigação busca aprofundar o rastreamento das estruturas financeiras utilizadas pelo crime organizado no mercado de combustíveis e ampliar a identificação dos mecanismos de lavagem de dinheiro usados pelo grupo criminoso.

Foto: MP/SP

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