Por que a guerra no Oriente Médio vai fazer você pagar mais caro para voar no Brasil?

A Azul Linhas Aéreas pode reduzir rotas nos próximos meses por causa da alta no preço do combustível de aviação, pressionado pela escalada das tensões no Oriente Médio. O anúncio foi feito pelo CEO da companhia, John Rodgerson, em entrevista à agência Reuters nesta sexta-feira, 5 de junho. Segundo o executivo, a empresa vai cortar […]

Escrito por: Meon Redação2 min de leitura
Entrega do avião E192-E2 da Embraer à Azul – BrunoCastilho/Meon

A Azul Linhas Aéreas pode reduzir rotas nos próximos meses por causa da alta no preço do combustível de aviação, pressionado pela escalada das tensões no Oriente Médio. O anúncio foi feito pelo CEO da companhia, John Rodgerson, em entrevista à agência Reuters nesta sexta-feira, 5 de junho. Segundo o executivo, a empresa vai cortar frequências em rotas onde a operação deixar de fazer sentido financeiro.

O impacto direto para o passageiro é duplo: menos opções de horário e destino — especialmente em cidades pequenas, onde a Azul é muitas vezes a única operadora — e pressão de alta nas tarifas aéreas, já que menos concorrência em rota significa menos controle de preço para quem precisa voar.


Contexto

A Azul fechou o 1º trimestre de 2026 com resultado financeiro acima do esperado. A receita operacional chegou a R$ 5,5 bilhões, crescimento de 1,4% na comparação anual, enquanto o Ebitda somou R$ 1,7 bilhão — alta de 22,6% — com margem de 31,1%. O prejuízo líquido ajustado caiu para R$ 44,4 milhões, resultado menor do que o registrado no mesmo período de 2025. No trimestre, o preço médio do querosene de aviação havia recuado 10,7%, para R$ 3,91 por litro, o que ajudou nas contas da empresa.

O cenário, no entanto, mudou. Com o prolongamento dos conflitos no Oriente Médio, o petróleo voltou a se valorizar nos mercados internacionais, elevando o custo do querosene de aviação globalmente. Rodgerson foi direto ao apontar a causa: “Quando fizemos os cortes iniciais, pensávamos que a guerra já teria terminado. Mas ela continua.” A declaração indica que a empresa já havia antecipado o movimento de redução de malha e agora sinaliza que pode aprofundá-lo.

A Azul opera mais de 160 destinos no Brasil e é a única aérea presente em centenas de municípios — o que torna qualquer corte de rota mais sensível do que em mercados com múltiplos concorrentes. A companhia concluiu recentemente sua reestruturação financeira e estreou na NYSE American em junho de 2026, mas segue exposta à volatilidade cambial e ao custo do combustível, que representa a maior fatia das despesas operacionais do setor aéreo.

Fontes: Reuters, Investidor10 (06/06/2026), resultados Azul 1T26.

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