Prefeitura suspende corte de figueira centenária após pedido do MP
MP irá encaminhar técnicos no local na próxima semana


Figueira localizada na Praça Dom Bosco é tombada pelo Comphac
Reprodução / Street View
A Prefeitura de São José dos Campos suspendeu por uma semana o corte de uma árvore centenária localizada na região central da cidade. A decisão atende ofício do Ministério Público, que fará uma vistória no local para avaliar a necessidade de remoção.
“Com base nas informações já divulgadas pela imprensa e na repercussão que o caso vem tendo, eu solicitei esse adiamento”, diz a promotora de Meio Ambiente Larissa Crescini Albernaz.
O objetivo, segundo ela, é que uma nova análise técnica seja feita no local por uma equipe enviada pelo MP.
“Queremos de imediato realizar essa análise. Será no começo da semana, porém ainda não foi agendada”, afirma a promotora, citando a figueira localizada no Parque Dom Bosco, na região central da cidade.
O pedido também inclui a suspensão do corte de outra figueira, localizada na Praça Cônego Lima, também na região central.
A prefeitura planejava remover as árvores neste domingo (28).
Vaivém
A administração municipal alega que laudos técnicos da Secretaria de Manutenção da Cidade e do Instituto Florestal de São Paulo apontaram a impossibilidade de recuperação das duas árvores.
Entre os problemas encontrados estariam o apodrecimento de galhos, provocado pela presença de fungos, e a distribuição irregular do peso da copa da figueira, que pode provocar a queda da árvore em casos de chuvas e ventanias fortes.
A árvore centenária da praça Dom Bosco é tombada pelo Comphac (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico, Paisagístico e Cultural). Ela tem tem 147 anos e 16 metros de altura.
O corte das árvores foi contestado por ambientalistas, que chegaram a enviar uma representação contra a medida ao MP. Para Vicente Cioffi, a suspensão do corte “é um importante passo”.
“Não queremos colocar a população em risco, mas sim preservar uma árvore centenária e conscientizar sobre a importância da preservação do meio ambiente em nossa cidade”, diz o ambientalista, que é conselheiro suplente do Comam (Conselho Municipal de Meio Ambiente).
“É fundamental que qualquer prefeitura haja com um planejamento bem definido. Outro passo é fazer um inventário para detectar a saúde de todas as árvores na cidade e trabalhar na prevenção”, completa.
Outro lado
Em nota, a prefeitura confirmou a suspensão do corte “atendendo pedido” do MP.
Segundo a administração, os laudos que condenaram as duas árvores “foram precedidos por rigorosas vistorias”, atestando “que não há possibilidade de recuperação”.
No caso da árvore da praça Dom Bosco, alega a prefeitura, três galhos já caíram somente em março “e há risco iminente de novos acidentes”. “A praça Dom Bosco fica na região central, em um local de grande fluxo de pessoas, carros e ônibus”, informou o governo.
De acordo com a Assessoria de Arborização e Áreas Verdes da prefeitura, a supressão está respaldada pela Lei de Arborização de São José (Lei Municipal 5.097/1997) e pelo Decreto Municipal 7.668/1992, sobre imunidade de corte.
“Será plantada outra árvore no local. A espécie será definida posteriormente pela prefeitura e submetida à aprovação do Comphac.”
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