Privilégio de poucos e orgulho de muitos, conheça os jogadores da RMVale que representaram o Brasil em Copas do Mundo
O Vale do Paraíba foi responsável por enviar seis jogadores, de cinco diferentes cidades para oito Copas do Mundo de Futebol


A seleção brasileira é a única a disputar todas as 21 edições de copas do mundo na história, além de ser a que conquistou mais títulos, vencendo o mundial em cinco oportunidades. O Vale do Paraíba contribuiu em oito mundiais, enviando seis jogadores de cinco diferentes cidades e participando de duas conquistas. Conheça os responsáveis por representar a região nos mundiais com a amarelinha.

Brandão (1938 – França)
José Augusto Brandão, ou simplesmente Brandão nasceu em Taubaté, em 1911 e morreu em 1989, na mesma cidade. Ele se mudou para São Paulo antes dos 18 anos, onde começou a jogar como meio-campo, no modesto Barra Funda, time da capital do estado. Por lá, ele despertou o interesse do Juventus da Mooca, onde atuou entre 1931 e 1935, ano que foi para o Corinthians.
Pelo time do Parque São Jorge Brandão atuou em 283 partidas, durante onze anos, sendo capitão do time em nove, ele venceu 178 partidas, empatou 48 e perdeu outras 57, o meia taubateano ainda balançou as redes em 13 oportunidades. Brandão venceu quatro campeonatos paulistas pelo Corinthians, campeonato mais importante na época.
Ele foi o primeiro jogador nascido no Vale do Paraíba a defender a seleção brasileira em uma Copa do Mundo, no terceiro campeonato mundial, disputado em 1938, na França. Na oportunidade, a seleção tupiniquim ficou com o terceiro lugar, atrás de Itália e França. Brandão, junto com o atacante Lopes foram os primeiros jogadores do Corinthians a vestir a camisa da seleção em uma Copa do Mundo.

Alfredo Ramos (1954 – Suíça)
Nascido em Jacareí, em 1924, Alfredo Ramos fez história jogando como zagueiro e lateral-direito no São Paulo, mas também vestiu a camisa do Corinthians e do Palmeiras. O jacareiense começou a carreira aos 23 anos, no Santos, clube que defendeu entre 1947 e 1950, conquistando um torneio Rio-São Paulo em 1950. De 1950 até 1957, já atuando apenas como zagueiro, Alfredo Ramos virou um dos grandes nomes do tricolor do Morumbi, onde levantou a taça do campeonato paulista de 1953.
Em 1958, Alfredo Ramos foi atuar no Corinthians, clube de coração do atleta. Por lá, o zagueiro não conquistou títulos, mas fez excelentes campanhas. Ele tinha tudo para se tornar um dos maiores zagueiros do clube, se não fosse uma fratura na perna após uma dividida com um jogador do São Paulo, seu ex-clube. Alfredo Ramos também se tornou técnico, entre 1960 e 1972, mas não conquistou títulos expressivos. O zagueiro morreu em 2012, em São Paulo.
Pela seleção brasileira, as brilhantes atuações com a camisa do São Paulo, o levaram para a disputa da Copa de 1954, na Suíça. Foram apenas três partidas nesta competição, com uma vitória, uma derrota e um empate para a seleção, que rendeu um modesto sexto lugar no campeonato. Alfredo Ramos só não se firmou com a camisa do Brasil em virtude de outros grandes zagueiros da época, como Pinheiro, do Fluminense e o companheiro de time Mauro Ramos, além da grave lesão na perna.

Zito (1958 – Suécia, 1962 – Chile, 1966 – Inglaterra)
Nascido em 1932 em Roseira, o José Ely de Miranda, mais conhecido como Zito, começou a carreira no E.C. Taubaté, mas foi vendido para o Santos por 150 mil réis, valor altíssimo para a época. O investimento valeu a pena, Zito atuou por 15 anos no Santos, sendo o capitão nas maiores conquistas do clube, como as libertadores e mundiais, além de atuar no esquadrão santista ao lado de outros ídolos como Pepe e Pelé. Zito está eternizado na faixa de capitão do peixe desde 2015, quando faleceu.
O volante é lembrado pela seriedade e classe dentro de campo, sempre cobrando garra da equipe durante todos os jogos. Zito não admitia derrotas e muito menos provocações ao adversário. Em uma partida em 1959, Zito quis brigar com Pelé após o Rei do futebol perder um gol por preferir driblar o adversário.
Zito foi convocado para a copa de 1958 para ser reserva, mas assumiu a condição de titular após uma lesão de Dino Sani, ídolo do São Paulo. O roseirense comandou o meio-campo da seleção canarinho e foi uma das peças fundamentais para o primeiro título da Copa do Mundo do Brasil. Em 1962, Zito era um dos maiores volantes do mundo, e fez jus ao posto, ajudando a seleção na segunda conquista consecutiva. O que poucos lembram é da participação de Zito na Copa de 66, na Inglaterra. Poucos dias antes do torneio ele se lesionou, mas por sua importância no time, o técnico Vicente Feola não quis chamar outro aleta no lugar do roseirense, que assistiu no banco de reservas a eliminação do Brasil ainda na fase de grupos.

Fidélis (1966 – Inglaterra)
José Maria Fidélis nasceu em 1944, em São José dos Campos, mas ganhou fama nos cariocas Bangu e Vasco da Gama, onde atuou entre 1963 e 1968 e 1969 até 1975, respectivamente. Fidélis ficou conhecido como touro sentado, em virtude da baixa estatura, mas grande raça, velocidade e força física. O joseense começou a carreira no Corintinha do Jardim Paulista, time amador, mas foi levado para jogar no Bangu.
No time do Rio de Janeiro Fidélis ganhou um campeonato carioca em 1966, após um jogo duro, onde o joseense parou Almir Pernambuquinho, grande jogador da época, que vestia a camisa do Flamengo. As grandes atuações pelo clube de Moça Bonita levaram o touro sentado para a seleção. Fidélis também fez grande campanha no Vasco, onde foi campeão carioca em 1970 e brasileiro em 1975. O joseense passou pelo América (RJ), Operário (MT), ABC (RN) e encerrou a carreira no São José, time da cidade natal.
Na seleção brasileira, Fidélis foi para a copa de 1966, na Inglaterra. O touro sentado foi reserva de Djalma Santos, considerado um dos maiores laterais da história. Durante a campanha, Fidélis só disputou uma partida e, depois da copa, não vestiu mais a camisa da seleção. Fidélis morreu em 2012, em São José dos Campos, quando se tratava de um câncer.

Luiz Gustavo (2014 – Brasil)
Luiz Gustavo é um volante, nascido em Pindamonhangaba mas que ficou pouco tempo no Brasil. Ele começou a carreira nos times amadores da cidade natal, mas passou pelo Corinthians Alagoano, CRB – ambos de Alagoas. Luiz Gustavo ganhou fama na Alemanha, onde passou por Hoffenheim, Bayern de Munique e Wolfsburg, time que estava quando foi convocado para a copa de 2014, no Brasil.
O volante pindamonhangabense é considerado ídolo na Alemanha, pelos títulos que conquistou, sendo cinco taças pelo Bayern de Munique e outros dois pelo Wolfsburg. Luiz Gustavo passou pelo Olympique de Marseille entre 2017 e 2019, quando foi vendido para o Fenerbahçe, da Turquia, onde segue até hoje.
O volante foi convocado pela primeira vez para a seleção em 2011, foi campeão da Copa das Confederações em 2013 e foi chamado para a Copa de 2014 e se tornou o primeiro representante do Vale do Paraíba em uma Copa do Mundo depois de 48 anos. Ele foi titular em toda a campanha que levou o Brasil a um quarto lugar, no ano que foi sede do campeonato. Luiz Gustavo foi um dos titulares do 7 x 1, sofrido na semifinal da copa contra a Alemanha.

Casemiro (2018 – Rússia)
Carlos Henrique Casimiro virou apenas Casemiro, ele nasceu em São José dos Campos em 1992. Revelado pelo São Paulo como Carlão, o atleta já somava convocações para as seleções de base do Brasil e era considerado uma das maiores promessas da base tricolor. Após vários litígios com a diretoria do São Paulo e críticas da torcida, Casemiro foi para o Real Madrid B, onde teve boas atuações e foi levado para o Porto, de Portugal. No time português Casemiro fez partidas brilhantes, o que o credenciou a jogar no Real Madrid.
O joseense não é apenas titular do Real Madrid, ele é uma das peças centrais do time há cinco temporadas. O técnico francês Zidane já o classificou como melhor volante do mundo e disse que o joseense é um dos jogadores mais importantes da equipe. Casemiro venceu nada menos do que 13 títulos com a camisa do time espanhol, sendo titular em todas as conquistas.
Na seleção brasileira, Casemiro é até hoje uma das peças centrais do técnico Tite. O volante foi chamado por quatro técnicos diferentes para vestir a camisa do Brasil e segue sendo o jogador do Vale do Paraíba com mais chances de ser convocado para a copa de 2022, no Catar, já que vem sendo chamado para representar o país constantemente. Em 2018 Casemiro não esteve no jogo contra a Bélgica, pois estava suspenso, muitos acreditam que se o joseense estivesse na partida o Brasil poderia ter eliminado os belgas e avançado no mundial da Rússia.
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