Implantada pela Prefeitura de S. José, Escola Interativa gera polêmica
Especialistas falam sobre o uso de tecnologia em sala de aula


Alunos usam tablets em sala de aula do programa Escola Interativa
Flávio Pereira/Meon
Em tempos de grande conectividade, escolas particulares e algumas da rede pública já aderiram à lousa digital, tablet e notebook. Sem esquecer o principal: o conteúdo didático alinhado com as novas tecnologias.
Na rede municipal de ensino de São José dos Campos, o programa Escola Interativa quer ir além dos programas de tecnologia na educação, geralmente voltados apenas para a criação de laboratórios de informática ou sistemas de gestão escolar. “Nesse programa, a gente dá uma olhada para o futuro, para que São José dos Campos seja uma cidade de vanguarda na área de cultura digital”, diz o secretário de Educação, Luiz Carlos de Lima.
Apesar de alguns tropeços no início, como escolas antigas que não tinham infraestrutura para receber toda a parafernália elétrica e digital, o programa recebeu ajustes e já está implantado em 44 das 47 escolas de ensino fundamental. Na educação infantil, já funciona em 72 salas de leitura de um total de 76 unidades.
O programa consiste em ferramentas como notebooks para uso dos professores, tablets para os alunos, servidor, projetores interativos e equipamentos de conexão à internet nas escolas da rede. Para treinamento dos professores foi criado o LEDI (Laboratório de Educação Digital Interativa).
Nem todos os professores aderiram ao programa no início. “Houve uma grande resistência dos professores por conta da falta de habilidade que eles tinham com a tecnologia. Aos poucos, eles foram vendo a grande possibilidade que estava nas mãos deles”, comenta a orientadora pedagógica Renata Pereta Marques.
Alerta
O professor Fernando Moreira, pedagogo e doutor em comunicação social na Univap, explica que o processo pode ser penoso. “Quando o professor não domina o uso, seja por falta de treinamento ou mesmo pela complexidade, ou ainda não tem assistência operacional para o uso correto, essa experiência pode ser traumática”.
Para a educadora Carla Guandalini Rezende Picone, a Educação Interativa surge como uma mudança significativa. “O educador passa de detentor do conhecimento (modelo tradicional) para facilitador de aprendizagem (modelo moderno). O que torna-se preocupante é que o avanço tecnológico não foi aplicado à educação como deveria, simultâneo e gradativamente, como nos outros setores”.
Opinião
Por tratar-se de uma política pública voltada para a educação que requer grandes investimentos fomos saber o que pensam os pré-candidatos à prefeitura de São José dos Campos sobre o futuro do programa Escola Interativa:
Para Shakespeare Carvalho (PRB), presidente da Câmara de São José, “O modelo que é utilizado hoje é muito restrito e tem que ser ampliado porque São José é uma cidade tecnológica”.
Felício Ramuth (PSDB), disse que “inovação para a sala de aula é muito importante, mas isso deve ser feito capacitando os profissionais que vão utilizar essas ferramentas para justificar o alto investimento realizado”.
Para Toninho Ferreira (PSTU), “O programa é bom, o problema é que eles diziam que seria um tablet para cada aluno e isso já mudou”.
Sebastião Cavali (PMDB), acha que “O programa não é só investimento em infraestrutura de computadores, de equipamentos em sala de aula. O mais importante é o conteúdo e a avaliação do resultado da aplicação.
Claude Mary (PV) disse que “Educadores da rede municipal de ensino têm apontado vários problemas na sua implantação. Desde a implantação, não há uma rede de internet eficiente em todas as escolas, prejudicando o uso da ferramenta”.
O atual prefeito e pré-candidato à reeleição, Carlinhos Almeida (PT), disse que “Estamos capacitando os profissionais de educação, modernizando e transformando toda rede. É um investimento forte para garantir que as aulas se tornem ainda mais agradáveis e motivadoras.”
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