Liga de taekwondo cobra ‘pedágio’ de professores e alunos em São José

Atletas pagam R$ 50 por mês e professores R$ 150

Escrito por: Do Meon3 min de leitura
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Mestre Ariel, professor há 12 anos

Meon

Professores e alunos da Liga Vale, entidade que cuida da parte técnica do esporte taekwondo de São José dos Campos, são obrigados a pagar quantias mensais em dinheiro ao diretor do projeto.

A denúncia vem do professor Ariel Camargo, que fazia parte da Liga Vale, dava aulas há 12 anos em dois centros comunitários na cidade e foi demitido no último mês.  “Pra você dar aula, por mais que você esteja cadastrado com a prefeitura, você precisa estar fichado com o Daniel Melo, diretor técnico da Liga Vale. A partir do momento que você receber seu salário da prefeitura, tem que repassar R$150 pra ele. Se você não der, você está fora”, afirma.

“Além disso, os alunos que recebem o “Bolsa Auxílio” também são obrigados a pagar R$ 50 por mês ao Mestre Daniel. Eles também são obrigados a comprar os uniformes que ele vende, caso contrário são perseguidos e recebem ameaças durante os treinos”, diz Camargo.

Além de Ariel, outro professor da rede municipal, Pedro Silva, que preferiu não dar entrevista, também não está dando mais aulas. Alunos e pais de alunos realizaram abaixo-assinados, pedindo a volta dos mestres aos seus respectivos centros comunitários. “Na unidade do Alto da Ponte eu cheguei a dar aula pra 150 pessoas. Atualmente tem umas 20 por lá treinando e os pais não estão satisfeitos”, declara Ariel.

Ambos os professores pediram afastamento da Liga Vale por não concordar com as taxas cobradas dos profissionais e alunos. Após isso, os dois continuaram dando aulas nos centros comunitários, mas Ariel foi demitido logo em seguida e Pedro foi afastado das aulas de taekwondo, trabalhando apenas em academias ao ar livre.

“A Liga Vale apenas registra os professores de taekwondo, e quem paga os salários é a prefeitura. Porém, o Daniel, diretor técnico da Liga Vale, juntamente com o vereador Valdir Alvarenga, são os responsáveis por decidir quem dá aulas ou não”, relata Camargo.

“Eu nunca quis deixar de dar aulas de taekwondo nos centros comunitários. Apenas quis me afastar da Liga Vale por não concordar com a forma de trabalho deles. Eu já fui demitido e agora o Pedro está sendo perseguido e corre o risco de perder seu emprego também”, diz Ariel.

Os alunos estão indignados com a situação. Eles se mobilizaram por meio do abaixo-assinado e redes sociais para pedir a volta de Ariel e Pedro. “Tenho 16 anos, sou faixa preta e o Ariel é meu mestre há quatro anos. Os alunos dele querem ele de volta aos centros comunitários o quanto antes, pois ele faz um excelente trabalho. Já fizemos abaixo assinado e estamos movimentando a internet, isso precisa mudar”, afirma o aluno Lucas Balbinotti.

O Meon procurou o Mestre Daniel Melo, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

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