Salas superlotadas e violência preocupam professores na RMVale
Um levantamento realizado pela Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo) divulgado na última quarta-feira (26), revela a situação dos professores em sala de aula em todo o estado. De acordo com a regional da entidade em São José dos Campos, o quadro na RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba) e Litoral Norte segue a média estadual.

Levantamento realizado pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo revela que 57% dos professores consideram a própria escola violenta. De acordo com a regional da entidade em São José dos Campos, o quadro na Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte segue a média estadual com muitos alunos e problemas por sala.
Entre os alunos, 77% já tiveram conhecimento de casos de violência em suas escolas no último ano. “Tem professor que tem carros riscado, celular roubado e é verbalmente ofendido e ameaçado quase todos os dias nas escolas. O que chega na mídia é o que não deu para esconder. No geral, a maioria está sofrendo calado por medo de retaliações”, afirma Gilmar Ribeiro, diretor regional da Apeoesp.
Uma professora de São José dos Campos, que pediu para não ser identificada, conta que ficou doente depois de ser agredida verbalmente diversas vezes, ameaçada de morte e ter seu carro riscado por um aluno. “A gente se sente desrespeitada. O aluno tentou me bater, riscou todo meu carro e ninguém liga para o que acontece. Não temos segurança. Não posso reclamar para não perder o emprego e maior que qualquer prejuízo material é o desgaste emocional”.
Outro problema é a superlotação nas salas nos últimos anos. A equação da quantidade de alunos dividida pelo total de professores no país, resultaria em uma sala de 23 alunos por professor. São 2.148.023 professores para 50.042.448 alunos matriculados no Brasil. O estudo do sindicato foi divulgado na última quarta-feira (26).
Contudo, essa não é a realidade. De acordo com a pesquisa, a média é de 35 alunos por sala tanto na rede estadual, quanto na municipal. “No ensino médio, nas escolas estaduais, a situação é pior. Temos escolas aqui em São José dos Campos com mais de 45 alunos por sala. O que torna a situação dos professores insustentável”, revela Ribeiro.
Justiça Restaurativa
Para diminuir a violência nas escolas municipais, a Prefeitura de São José dos Campos informou que está desenvolvendo o programa Educação para a Paz. O projeto conta com um núcleo de profissionais que forma professores e grupos de trabalho no sistema conhecido como Justiça Restaurativa, com rodas de conversas e reuniões para mediar conflitos.
Veja abaixo outros dados revelados pela Apeoesp, no estudo denominado Qualidade da Educação nas Escolas Estaduais de São Paulo.
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