STF autoriza investigação da PF sobre financiamento de filme inspirado em Jair Bolsonaro
Inquérito vai apurar repasses de cerca de R$ 61 milhões destinados à produção de “Dark Horse”

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal (PF) a abrir um inquérito para investigar os repasses financeiros destinados ao filme Dark Horse, cinebiografia inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A decisão foi proferida na quarta-feira (22), e a investigação será conduzida pela Diretoria de Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Dicor). O objetivo é verificar a regularidade dos recursos destinados à produção do longa-metragem e confirmar se os valores foram efetivamente aplicados conforme indicado na documentação fiscal.
De acordo com as investigações preliminares, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria destinado aproximadamente R$ 61 milhões ao financiamento do filme, após solicitação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se favoravelmente à abertura do inquérito.
Investigação apura destino dos recursos
A Polícia Federal deverá analisar a origem dos recursos, a forma como foram transferidos e se todo o montante chegou aos destinatários indicados nas notas fiscais apresentadas pela produção do filme.
As investigações também terão como base diálogos divulgados anteriormente, nos quais Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro tratam do financiamento da obra. Em uma das conversas, o senador demonstra preocupação com o atraso nos pagamentos necessários para a continuidade da produção.
Na época da divulgação dos diálogos, Flávio Bolsonaro afirmou que buscava apenas patrocínio privado para um filme privado sobre seu pai, sem utilização de recursos públicos.
O parlamentar declarou ainda que conheceu Daniel Vorcaro em 2024, quando, segundo ele, não havia acusações públicas contra o empresário, e negou ter oferecido qualquer vantagem em troca do financiamento.
Até o momento, Flávio Bolsonaro não comentou oficialmente a decisão do STF que autorizou a abertura do inquérito.
Defesa vê investigação com tranquilidade
O coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que a investigação deverá comprovar a inexistência de irregularidades.
Segundo ele, a apuração “mostrará que não houve ilícito” na obtenção dos recursos para a produção cinematográfica.
A investigação da Polícia Federal poderá resultar em novas diligências para esclarecer a origem dos recursos, sua destinação e eventual responsabilidade dos envolvidos, caso sejam identificadas irregularidades durante o andamento do inquérito.
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