Time abandona nome racista e supera problemas de saúde para chegar aos playoffs da NFL
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Os playoffs da NFL começam neste fim de semana com a rodada de Wild Card, que inclui um time que venceu todos os prognósticos negativos feitos antes do início da temporada para conquistar uma vaga na fase decisiva do campeonato. Trata-se do Washington Football Team, que vai encarar neste sábado (9) o badalado…

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Os playoffs da NFL começam neste fim de semana com a rodada de Wild Card, que inclui um time que venceu todos os prognósticos negativos feitos antes do início da temporada para conquistar uma vaga na fase decisiva do campeonato.
Trata-se do Washington Football Team, que vai encarar neste sábado (9) o badalado Tampa Bay Buccaneers, de Tom Brady e companhia, em busca de um lugar na semifinal da Conferência Nacional. Pouca gente imaginava que o time da capital dos Estados Unidos entraria em campo em janeiro.
Cheio de polêmicas extracampo, que culminaram na mudança de nome após protestos, o time ainda viu seu técnico enfrentar um tratamento contra um câncer durante a temporada e teve de apostar em um jogador que, há dois anos, esteve sob grave risco de perder a perna e morrer.
No fim, a equipe avançou mesmo com uma campanha negativa, com sete vitórias e nove derrotas, mas suficiente para vencer a Divisão Leste da Conferência Nacional.
Os problemas de Washington começaram antes mesmo do início da temporada da NFL. O time foi alvo de muitos protestos embalados pelo movimento antirracista “Black Lives Matter” e se viu obrigado a abandonar o apelido de Redskins.
O termo, que significa pele vermelha em tradução livre, é visto como racista por instituições ligadas aos povos indígenas. Há anos, eles pediam a mudança do apelido e do mascote -um aborígine fantasiado com plumas na cabeça, mas foram sempre ignorados.
Com o aumento da pressão pela alteração, patrocinadores e empresas que investem dinheiro na franquia decidiram apoiar a aposentadoria do apelido e aumentar o apelo sobre o dono Daniel Snyder. Em julho, a franquia definiu que o time passaria a se chamar Washington Football Team de forma provisória até a definição do novo nome, o que ainda não aconteceu.
Snyder é outro alvo de polêmicas e vive sob pressão constante para abrir mão da franquia. O empresário é acusado de promover uma cultura cheia de assédios moral e sexual na equipe. Segundo o jornal Washington Post revelou, ele pagou cerca de R$ 8 milhões a uma ex-funcionária que o acusava de má conduta sexual.
Outras acusações graves envolvem gravações de vídeos íntimos das líderes de torcida da franquia e dezenas de acusações de mulheres que se dizem assediadas sexualmente por membros da equipe, tudo com a anuência de Snyder.
Ainda antes do início da temporada, a franquia recebeu mais uma notícia que poderia comprometer a preparação para os jogos e prejudicar a já abalada moral. O técnico Ron Rivera, contratado para mudar a cultura da equipe e um dos envolvidos na definição da nova identidade, foi diagnosticado com câncer de células escamosas e decidiu não se afastar do cargo durante o tratamento.
Rivera, de 58 anos, encarou as sessões de quimioterapia por mais de dois meses e perdeu alguns treinos da equipe. Ele também recebeu a medicação nos intervalos de algumas partidas durante a temporada regular.
Nos treinos, o comandante usava um carrinho de golfe para comandar as atividades e evitar o cansaço excessivo pela quimioterapia. Tudo isso serviu de motivação para seus comandados. “Isso nos uniu. Estabelecemos laços em torno de algo que é difícil para uma equipe passar”, ressaltou Chase Roullier, center da equipe.
Em outubro, Rivera comemorou o fim do tratamento e pôde focar 100% de suas forças no caminho até os playoffs da NFL.
Outro fato importante na campanha foi Alex Smith, quarterback da equipe. O atleta passou por 17 cirurgias para corrigir as fraturas que sofreu na tíbia e fíbula em novembro de 2018. Dois anos depois, ele liderou e inspirou os companheiros na batalha por um lugar na fase decisiva da NFL.
Smith, que quase teve a perna amputada e correu risco de morrer por uma infecção, era o terceiro jogador da posição antes de a temporada começar. Com o espaço aberto pelos concorrentes, assumiu o posto e levou a equipe à pós-temporada.
Muitos jogadores do Washington revelaram ter assistido ao documentário “Project 11”, produzido pela ESPN, contando a recuperação de Smith após a lesão. “Vendo um cara como aquele, que passou por tudo que passou e continua a lutar, continua a se colocar em posição para ajudar esta equipe, não posso dar crédito suficiente por isso”, disse o recebedor Terry McLaurin.
“Especialmente quando você vê o que Alex passou, seu desejo e motivação para voltar e a alegria e emoção que ele sente por jogar. Foi muito inspirador para mim. Eu gosto de imaginar que, de alguma forma, o que passei desempenha um pequeno papel nisso também. Você tem de ser tocado ao ver essas coisas. Apenas tentar ser um exemplo é importante”, destacou Ron Rivera.
“Eu não presto muita atenção a isso ou vejo isso. Certamente, eu cuido da minha vida e trabalho da melhor maneira que posso”, afirmou Smith.
Se por um lado a imagem ruim da franquia e do seu dono Daniel Snyder causavam antipatia e torcida contra, as histórias de Rivera e Smith fizeram com a equipe fosse vista com outros olhos e ganhasse apoio na busca por uma vaga nos playoffs.
Com o lugar garantido, uma vitória sobre o time de Brady seria mais um capítulo em sua heroica e surpreendente campanha. É bom não duvidar do Washington Football Team.
Posts Relacionados

Europa concentra maior número de casos de violência contra brasileiras no exterior

Discurso de Lula na Avibras, em Jacareí, provoca crise diplomática com o Paraguai

Novo tarifaço de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor
