Transmissão de vídeo é ‘propulsora’ da internet

Serviços de streaming geram debates sobre o uso de dados na rede

Escrito por: Matheus Mans e Bruno Capelas3 min de leitura
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Com séries originais vencedoras do Globo de Ouro, o Netflix tem mudado a cara da TV americana. Mas não só: a empresa também tem revolucionado o consumo de dados nos EUA. Segundo estudo da Sandvine, o serviço ocupou 37% do tráfego de dados de internet no país em 2015. Logo atrás, outra plataforma de vídeo: o YouTube, com 18%.

No Brasil, não há estudos que mensurem o impacto do Netflix, mas a situação não é diferente. Segundo estimativas do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), serviços como YouTube, Netflix, Facebook e Google geram até 60% do tráfego de usuários residenciais no País. Para o analista da IDC Brasil, Samuel Rodrigues, as realidades são parecidas. “Estamos atrás dos EUA em qualidade de rede, mas vamos no mesmo caminho.”

O estudo da Sandvine mostra que 61% de todo o tráfego de dados dos EUA em 2015 é de serviços de vídeo. O dado é potencializado por usuários que abandonaram a TV paga e migraram para o streaming, em um fenômeno chamado “cord-cutter” (“cortar a corda”, em inglês).

Aqui no Brasil, essa tendência ainda é tímida, mas já acontece. A arquiteta Polly Sjobon trocou um plano de TV paga por uma conexão de internet via fibra óptica para ficar apenas com streaming. “Com a TV paga, eu ficava presa. Não volto nunca mais”.

Franquia
O alto consumo dos vídeos é um dos motivos que gerou a recente polêmica com a franquia de dados na banda larga fixa no Brasil, liderada por operadoras que também possuem serviços de TV paga. Com a franquia, usuários pagariam mais se excedessem o consumo de dados fixado por mês – em uma potencial ameaça a serviços de streaming.

Para o analista da consultoria Gartner, Fernando Elizalde, o impacto não deve chegar ao vídeo. “Essa discussão já aconteceu em outros países e sempre foi encontrado o equilíbrio entre as partes. Acredito que o mesmo deve acontecer no Brasil”, diz.

Streaming entra na mira de canais de TV
Não são só novas empresas que olham para o crescente mercado do streaming de vídeos. É o caso da HBO, que oferece a seus assinantes de TV o HBO Go, app para smartphones e tablets com acesso exclusivo a suas séries e produções próprias. O serviço deve ganhar voo solo até o fim do ano no País: será possível assinar apenas a plataforma de streaming, mesmo não tendo pacote de TV paga. Nos EUA, o serviço já está disponível e custa US$ 14,99 por mês. O Esporte Interativo também lançou o EI Plus: R$ 14,90 por mês, é possível ver jogos de torneios a qualquer hora. Na TV aberta, a TV Globo investiu no Globo Play, que dá acesso a programas da emissora por R$ 12,90 ao mês.

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