Audiência pública para discutir áreas de risco em São José acaba na polícia
Moradores reclamam da data escolhida para realização do evento


Moradores do Canindu, Chácaras Havaí e Rio Comprido no delegacia da Rua Humaitá após saírem da audiência
Foto Lucas Lacaz Ruiz/A13
Uma audiência pública para discutir a classificação de áreas de risco em São José dos Campos, realizada na tarde de quinta-feira (28), acabou na delegacia da Polícia Civil. O evento é uma das etapas necessárias para elaboração do Plano Municipal de Redução de Riscos.
O presidente da SAB (Sociedade Amigo do Bairro) do Canindu, na zona norte de São José, disse que foi xingado e ameaçado ao propor o cancelamento da audiência e reagendamento para outra data para que um maior número de pessoas pudessem participar da discussão. Segundo ele, quando eles protestavam, um guarda civil municipal sacou uma arma ameaçando os moradores.
“Eles marcaram a audiência no dia 27 de dezembro, no meio dos feriados, quando todo mundo tá viajando, por isso pedimos o cancelamento da audiência. Nas imagens vamos ver o GCM [guarda civil municipal] que sacou a pistola no meio da comunidade que estava lá”, disse Gilson Machado da Costa.
Gilson foi um dos moradores que registrou Boletim de Oocrrência na delegacia de plantão da Polícia Civil, na rua Humaitá. Ele foi acompanhado por representantes de bairros Chácaras Havaí, Nova Esperança (Banhado) e do Rio Comprido.
A audiência pública foi realizadsa no auditório do Cefe (Centro de Formação do Educador), ao lado do Parque de Cidade, na zona norte de São José, para classificar as áreas de risco da cidade. O evento foi conduzido pelo Gard (Grupo de Avaliação de Riscos Difusos), criado em 2017 para, entre outras atribuições, promover o controle do adensamento das áreas ocupadas irregularmente e fiscalizar os núcleos identificando seus ocupantes para impedir sua expansão.
Para Gilson, a prefeitura pretende utilizar esse trabalho para conseguir na Justiça a remoção de moradores de loteamentos irregulares e clandestinos.
A prefeitura informou, por meio de nota, que também registrou um boletim de ocorrência e alegou que não havia motivo para cancelamento da audiência pública, pois o encontro foi amplamente divulgado nas comunidades de interesse.
O Meon consultou o site da prefeitura e constatou que havia um comunicado sobre a audiência na seção de serviços, porém nada publicado na área de notícias do portal, como é comum acontecer na divulgação de eventos públicos. O Meon não conseguiu localizar representantes da Defensoria Pública.
Veja a íntegra da nota da prefeitura:
“A audiência pública do Plano Municipal de Redução de Riscos, realizada na última quinta-feira (27), foi amplamente divulgada pela Prefeitura de São José dos Campos, principalmente nas comunidades diretamente afetadas. Todo o levantamento atualizado das áreas de risco no município e estratégias para reduzir ou erradicar os perigos de deslizamento e inundações estão disponíveis para consulta no site da Prefeitura.
Todas as contribuições da população serão consideradas, sempre que possível, para a tomada de decisão e as futuras ações necessárias, priorizando os locais em que houver maior risco para a segurança da população.
A audiência aconteceu em dia útil, em local de fácil acesso e seguro. Um morador do Chácaras Havaí tentou impedir a participação das pessoas na audiência, razão pela qual foi chamada a Guarda Municipal para realização de Boletim de Ocorrência. O evento foi registrado com filmagem e fotos.”

Audiência foi realizada no Cefe, na zona norte de São José
Divulgação/Claudio Vieira/PMSJ
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