Autônomos da região unem forças para ajudar o próximo em meio à quarentena

Em tempos de desemprego e estado de pandemia, causado pelo novo coronavírus (Covid-19), autônomos da RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte) têm feito esforços para minimizar os impactos causados pela nova doença. Para quem está desempregado ou passando por alguma dificuldade, a ação de voluntários é fundamental neste momento e faz […]

Escrito por: Jefferson Santos4 min de leitura
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Reprodução/Arquivo Pessoal
Grupo de voluntários são motoristas de aplicativo de transporte (Reprodução/Arquivo Pessoal)

Em tempos de desemprego e estado de pandemia, causado pelo novo coronavírus (Covid-19), autônomos da RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte) têm feito esforços para minimizar os impactos causados pela nova doença. Para quem está desempregado ou passando por alguma dificuldade, a ação de voluntários é fundamental neste momento e faz diferença.

Pensando nisto, um grupo de 20 motoristas de aplicativo de transporte de Jacareí se organizou e fez uma ‘vaquinha’ para arrecadar dinheiro com colegas de trabalho a fim de comprar marmitas e distribuir aos caminhoneiros que passam diariamente pela rodovia Presidente Dutra. Um pouco depois da unidade da PRF (Polícia Rodoviária Federal) de São José dos Campos, os motoristas se encontraram nesta sexta-feira (27) em um posto de combustíveis, no trecho de Jacareí, na pista em direção a São Paulo.

A motorista Dejamila de Lima Silva, 29, trabalha há três anos com aplicativo de transporte e conta como acha importante ajudar os caminhoneiros, que sempre estão nas estradas.

“Acho importante sempre ajudar ao próximo e como já trabalhei na ‘rodovia’ sempre tive muito contato com os caminhoneiros, uma categoria que o país todo deveria dar valor. Muitos largam suas casas ficam dias e até meses longe de seus familiares. O nosso país gira em torno deles, que sempre foram muito mal valorizados”, disse.

A vaquinha foi suficiente para comprar quase 70 marmitas, que foram entregues a caminhoneiros que chegaram em um posto às margens da Via Dutra.

A taxa de desemprego no Brasil ficou em 11,2% no trimestre encerrado em janeiro, atingindo 11,9 milhões de pessoas, segundo o Pnad Contínua, divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas). Mas como reflexo desse problema provocado pela nova doença, especialistas no mercado financeiro acreditam que o desemprego no País alcance 40 milhões de brasileiros fazendo com que as pessoas trabalhem na informalidade.

Os decretos estaduais e municipais restringem a circulação de pessoas pelas ruas, uma medida adotada no mundo inteiro como prevenção à propagação de coronavírus, mas que que pode prejudicar quem trabalha de forma autônoma, como é o caso da administradora de 28 anos Isabela Sanches de Oliveira. Desempregada há pouco mais de um ano, a moradora de Caçapava resolveu criar uma brigaderia junto de sua mãe.

Sanches conta que antes do aviso de quarentena ela fazia entregas em estabelecimentos e também encomendas frequentemente, porém isto não é mais possível. Há três dias, Isabela resolveu criar um perfil no instagram para divulgar o trabalho de pessoas, que assim como ela, trabalham de forma autônoma e estão com dificuldades em gerar dinheiro.

Reprodução/Instagram
Reprodução/Instagram

“Nesse meio tempo fiz 94 publicações de autônomos aqui de Caçapava. Eu peço para eles me enviarem uma arte, um textinho falando sobre o serviço e a página deles nas redes sociais. Já consegui 518 seguidores e tive pouco mais de 2 mil visualizações ao perfil”, contou. “Vendo essa necessidade até de divulgar o meu trabalho e da minha mãe conheci muitas pessoas e boa parte delas me agradece pela iniciativa. Essa troca de informação e divulgação é gratificante. É uma ação simples e que causou toda essa comoção. Eu acredito que com todo mundo se ajudando a gente vai conseguir passar por isso”, completou.

Para a psicóloga e coach Mariana Marco, de São José dos Campos, esses comportamentos solidários e coletivos são atitudes do próprio ser humano e que muitas vezes estão ligados a educação da pessoa.

“O altruísmo, essa ideia de ajudar o próximo, é algo que se desenvolve, uma atitude da espécie humana. Isso acontece, provavelmente, pela maneira que somos educados e criados. Essa sensação de prazer quando envolve caridade, doação e cooperação é ensinada ao longo da vida. Então, provavelmente pessoas que tiveram esses conceitos em sua base educacional, como questões valiosas e importantes, aprendem que é algo satisfatório fazer algo para alguém. A recompensa dessas atitudes é puramente a sensação de tê-las feito.  Enquanto que do outro lado, o egoísmo, por exemplo, faz com que essas atitudes sejam voltadas a ter resultados pessoais ou para um grupo específico”, pontuou.

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