Como a demissão do ministro da Saúde foi recebida por autoridades e médicos
Nelson Teich deixou o governo Bolsonaro nesta sexta-feira (15)

Depois do anúncio da demissão do ministro da Saúde Nelson Teich, que pegou algumas pessoas de surpresa e outras nem tanto, o Portal Meon ouviu autoridades e profissionais da área médica do Vale do Paraíba. Reuniu ainda manifestações de autoridades e personalidades feitas nas redes sociais.
O presidente Jair Bolsonaro foi a público e entre várias declarações, disse que mudará o protocolo do uso da cloroquina, adotado no sistema de saúde, situação apontada como um dos motivos da baixa na pasta, em menos de um mês.
Nelson Teich teria dito antes de deixar o governo que estava cada vez mais difícil conciliar as vontades e desejos de Jair Bolsonaro, com as recomendações da ciência e os recursos disponíveis.
Veja o que estão falando sobre mais esse impasse que envolve o Governo Federal.
Ana Soares- secretária de Saúde de São Sebastião
“Não importa o ministro que venha, porque o nosso presidente na verdade que ser ele o ministro da Saúde. Então vai ficar muito difícil para qualquer técnico poder assumir a situação que nós temos hoje de pandemia no nosso país. A partir do momento que temos um presidente que não quer ouvir os técnicos, que não quer ouvir aqueles que ele mesmo determinou que trabalhasse ao lado dele para poder direcioná-lo. É uma pena, é esperar que os nossos governadores e os nossos prefeitos, principalmente como na minha cidade, continuem mantendo a linha de trabalho para que a gente possa evitar danos cada vez maiores”.
João Manuel Maio, clinico geral e homeopata
“É Evidente que todos nós lamentamos a demissão do Ministro da Saúde Nelson Teich, menos de um mês após assumir o cargo e o segundo a desocupar o posto em meio a disseminação da Covid-19 no país. Eu imagino que os motivos pelos quais ele saiu do Governo tenham sido múltiplos já que pra quem está de fora fica difícil avaliar a complexidade da situação e a pressão recebida num cenário em que todos falam e poucos se entendem, além da grande politização existente, inclusive das questões científicas.
O atual momento requer organização, estabilidade e alinhamento técnico, econômico e político para que possa administrar o pandemônio que essa pandemia gerou no Brasil, o que aqui pra nós, é um monumental desafio.
Nós precisamos de um ministro da Saúde que enfrente os problemas com garra, que tenha um perfil de “ cachorro de briga “, que não se deixe intimidar pela oposição e críticas a ele feitas, muito focado na saúde da população mas com um olhar atento ‘à crescente crise econômica que o país atravessa. Faço votos que o novo ministro da Saúde tenha êxito nessa difícil missão”.
David Souza Lima- psiquiatra e presidente da Associação Paulista de Medicina de São José dos Campos
“A saída do novo ministro da saúde com menos de 1 mês no cargo mostra muita instabilidade nesse setor. Isso é muito ruim, principalmente num momento de pandemia. O ideal é conseguirmos ter um direcionamento, baseado principalmente na ciência, com um mínimo de consenso em nível nacional, com um plano detalhado de como iremos enfrentar essa crise e como iremos sair dela o mais breve possível. A polarização política nesse momento só tem nos atrapalhado. Está faltando objetividade e sabedoria nessa disputa”.
João Doria- governador de São Paulo, durante coletiva de imprensa
“Presidente Bolsonaro, governe, administre o seu país com equilíbrio, com paz no coração, com compreensão, com discernimento e com grandeza. Pare com agressões, para com os conflitos, pare de colocar o país dentro de um caldeirão interminável de brigas e atritos. O país, para vencer a pandemia, precisa estar unido e precisa estar em paz.”
Sérgio Moro- ex-ministro da Justiça, pelo Twitter
“Cenário difícil, em plena pandemia, 13.993 mortes até ontem. Números crescentes a cada dia. Cuide-se e cuide dos outros”.
Henrique Mandetta- ex- ministro da Saúde, pelo Twitter
“Oremos. Força SUS. Ciência. Paciência. Fé”!
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