Como a economia vai sobreviver na RMVale?
Economistas opinam sobre futuro da economia na região no atual cenário do coronavírus


Em meio à pandemia do novo coronavírus, isolamento social, discussões políticas e econômicas, economistas respondem a questão que preocupa moradores da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte;
Como a economia vai sobreviver na RMVale?
• Roberto Koga, economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia
“A grande incógnita econômica será o tempo de duração da pandemia no país e sua quarentena. De uma forma ou outra teremos uma crise econômica sem precedente na história: de recessão ou depressão na economia.
Contudo, o enigma será o ‘day after’. As relações de naturezas econômicas possivelmente não serão as mesmas. Tudo dependerá do papel do Estado e a velocidade do retorno das atividades econômicas.
De outro modo será a oportunidade de equilibrar e harmonizar a relação capital e trabalho e minimização da desigualdade social, sempre em equilíbrio aos poderes constituídos”.
• Rodrigo Garcia, economista e consultor financeiro na Black Chip Inteligência Financeira
“São esses os que mais preocupam, os micro e pequenos empresários e os trabalhadores informais. Eles possuem pouca ou nenhuma reserva financeira e tem menos acesso aos recursos disponibilizados pelo governo, o que pode elevar muito o índice de desemprego.
Acredito que os setores mais afetados serão os de varejo, entretenimento e refeição fora do lar. Mas cada caso é um caso. Acredito que algumas empresas devem sair mais fortalecidas desse momento difícil, como as de educação à distância e tecnologia.
O governo tem tomado medidas e está injetando de forma direta e indireta, mais de 750 bilhões de reais na nossa economia, isso deve ajudar. Mas o mais importante são as reformas estruturais (tributária, administrativa, etc) que estavam para ser votadas na Câmara e no Senado. Se elas forem aprovadas rapidamente no pós-crise, os impactos do coranavírus na economia serão menos traumáticos. Caso contrário, enxergo um cenário de recessão mais difícil de encarar. E nesse caso, como sempre no Brasil, os mais pobres serão os mais afetados”.
• Drauzio Antonio Rezende, economista e pesquisador do NUPES/Unitau
“Ainda é muito cedo para ponderar as consequências quantitativas em termos de percentual de crescimento do PIB que essa paralisação forçada causará, mas é inevitável que as consequências sejam negativas, pois teremos um estouro fiscal provocado pelo Congresso Nacional muito maior do que o necessário para enfrentar a pandemia, o famoso “jabuti” da farra fiscal. Isso poderá resultar em inflação futura, que é prejudicial para a população.
O medo do desemprego poderá significar um consumidor cauteloso com gastos de maior valor agregado, o que vai repercutir negativamente no comércio. No entanto, a resiliência das empresas e a recuperação da sociedade dependerá, em muito, do tempo adicional desnecessário em que o governo paulista mantiver o lockdown generalizado.
Quanto mais rápida a atividade econômica for liberada para retornar de maneira escalonada e controlada, menores serão as perdas e mais facilmente, apesar das dificuldades elencadas, a economia poderá se recuperar e a confiança do consumidor, base do processo, se restaura.
Importante frisar que, por conta de sua forte base industrial e turística a economia do Vale do Paraíba replica o comportamento da economia nacional e sofre mais acentuadamente que outras regiões os abalos econômicos por depender da indústria que é o setor que mais se retrai quando a economia se desacelera”.
Posts Relacionados



