Estudantes Joseenses criam “robô ecológico” para competição nos EUA
Estudantes do Cephas viajarão para Nova Iorque, na segunda semana de março


Equipe de 20 alunos e nove mentores vão representar o país
Thiago Fadini/Meon
Um grupo de 60 integrantes, entre alunos e professores, do Cephas (Centro de Educação Profissional Hélio Augusto de Souza), está perto de finalizar o projeto de um robô ecológico que participará de um campeonato nos Estados Unidos.
A First Robotics Competition (FRC), realizada pela FIRST (Para Inspiração e Reconhecimento da Ciência e Tecnologia), organização sem fins lucrativos, acontecerá na cidade de Nova Iorque entre os dias 12 e 15 de março. A competição de robótica envolve escolas de ensino médio e técnico de todo o mundo.
Os estudantes da equipe Cephatron #1860 participam dos cursos técnicos de eletrônica, mecânica, química e administração, mantidos pela Fundhas (Fundação Hélio Augusto de Souza). Até o momento, 20 alunos estão confirmados para a viagem com a ajuda financeira de patrocinadores e da fundação.
“Eles trabalham no Cephas nos fins de semana e o grupo sempre está lá com os professores. O período de férias mesmo eles nem tiram. É uma área que o jovem se interessa muito, eletroeletrônica. Mais importante do que o robô em si é o trabalho em equipe. Os meninos e meninas se engajam muito no projeto, ficam muito motivados, estudam inglês e a experiência da viagem internacional é muito interessante”, contou a presidente da Fundhas, Vanda Siqueira.
O tema escolhido para a edição de 2015 é a reciclagem, que será aplicado através de um jogo: “Recicle Rush”. A ideia é que a máquina acomode e processe a maior quantidade de lixo possível em um tempo de três minutos. A montagem do robô começou no dia 3 de janeiro e prazo para enviar o projeto ao território norte-americano vai até 17 de fevereiro.
O robô TCS 10 (Technology Control System) terá dois metros de altura e está com o chassi, a tração e a transmissão concluídos. Agora os participantes estão no processo de instalação do dispositivo de elevação da máquina.
“O robô terá dois sistemas: um que usará “stackers”, com correntes que vão levantar as caixas (de lixo) com o piloto controlando e o sistema de braços de empilhadeira”, explicou o orientador do projeto, professor Carlos Santos.
Além do prêmio por vencer o jogo, o First Robotics Competition também conta com uma premiação social, que considera as ações que o time realiza em prol da sociedade. A competição tem quatro categorias de tamanho de máquinas.
Para o aluno Felipe da Silva Andrade, 20, um dos mais experientes da turma, explica que as peças são provenientes de doações e fabricação própria. “Alguns componentes a gente que fez aqui, outros de um kit que temos, outros que vêm dos Estados Unidos e de patrocinadores”.

Cephatron tem títulos internacionais de robótica desde 2006
Thiago Fadini/Meon
Mesmo com cinco anos de competições pelo Cephas, para Felipe cada edição do First é “como se fosse a primeira”.
“Tudo é como se fosse começar de novo, porque todo ano é um jogo novo. Nunca você vai faze rum robô igual ao outro. Por isso todo ano tem que pensar em uma nova ideia, em um novo sistema. Então parece que todo é como se fosse a primeira vez”, completou.
E se para o mais experiente ainda existe uma ansiedade, o mesmo é encontrado nos mais novos. As alunas Juliana Cunha Morais e Juliana Aparecida Faria são debutantes no Cephatron e esperam absorver o máximo de conhecimento dos mais velhos do grupo.
“Pegamos uma equipe muito boa e acabamos aprendendo muito com eles. A experiência é algo bem diferente, porque no Brasil é difícil ter uma competição como essa. Pra gente é uma prazer muito grande, uma novidade. Estaremos fora e representando a escola e o país, isso não tem preço”, disse Juliana Cunha, de 35 anos, que começou o curso de mecânica há seis meses.
“Sempre quis entrar muito no time, mas meu curso e meu estágio estavam uma correria. Fui entrar mesmo em maio do ano passado. Como no meu curso tive a parte de administração e plano de negócios, comecei a ajudar eles. Pra mim esta sendo uma grande expectativa, porque não esperava ganhar a viagem. Foi uma surpresa”, falou Juliana Aparecida, 19, formada no curso técnico de química e integrada ao Cephatron há nove meses.
A equipe conquista prêmios nacionais e internacionais desde 2006. Recentemente, em 2013, faturou o Entrepreneurship Award sponsored by Kleiner Perkins Caufield and Byers, na cidade de Dallas (EUA). A categoria da competição avalia a visão empreendedora do time. No ano passado o Cephatron voltou para Dallas e ficou com o terceiro lugar na competição na classificação geral.
“É uma equipe que sempre nos traz bons resultados. Sempre disputamos campeonatos nacionais com escolas particulares de todo o Brasil. É a única pública que disputa e não existe outra que tenha tantos prêmios quanto nós. E o que me arrepia é que são alunos de classe média-baixa, poucos deles têm essa oportunidade. Hoje esses são os melhores que nós temos”, disse o professor.
Ao todo, os alunos do Cephas ficarão seis dias nos Estados Unidos, descartados os dias de ida e volta. Quatro dias serão dedicados inteiramente à competição, enquanto que os outros dois vão ser ocupados com passeios por Nova Iorque.
Para a presidente da Fundação Hélio Augusto de Souza, Vanda Siqueira, o projeto traz o jovem para perto da tecnologia de uma forma atrativa e abre portas no futuro. “A tecnologia cada vez mais avançada, não tem volta. A gente tem que se adaptar. Eles já nasceram com esse mundo diferenciado, mas acho que essa é a grande sacada, despertar o interesse desses meninos e abrir portas pro futuro deles, acho que é muito proveitoso”.

Bandeira da equipe do Cephatron
Thiago Fadini/Meon
Posts Relacionados

Eleições 2026: Cidades do Vale e região terão ônibus gratuitos neste domingo; veja horários

Festival Trem Bão traz culinária mineira, shows gratuitos e parque de diversões ao Shopping Jardim Oriente em SJC

Escolas estaduais do Vale do Paraíba receberão quase 10 mil tablets
