Moradores fazem vaquinha para salvar cachoeira da Renata
Sabesp processa grupo que defende a cachoeira por tumultuar a obra


Obras na cachoeira da Renata em Ubatuba estão paralisadas
Divulgação/SOS Cachoeiras do Sertão da Quina
Um grupo de moradores do Sertão da Quina, em Ubatuba, começou nesta segunda-feira (1) uma vaquinha virtual para arrecadar R$ 5 mil e contratar um advogado e um engenheiro para defender a cachoeira da Renata.
A decisão foi tomada depois que alguns moradores que fazem parte do movimento SOS Cachoeiras do Sertão da Quina, acusados pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) de tentar impedir com tumultos a continuidade das obras de construção de uma estação de captação de água na cachoeira da Renata em Ubatuba, se tornaram alvo de uma ação judicial movida pela empresa.
De acordo com os moradores, por várias vezes, as pessoas que vivem no bairro subiram até onde fica a obra “apenas para conversar” e pedir que a construção fosse paralisada.
“Estamos com um processo no Ministério Público que foi para a segunda instância. Com isso, a Sabesp não deveria mexer na cachoeira. Fomos lá em paz e, na nossa frente, a Sabesp dizia tudo bem e parava. Mas pelas costas, registravam boletins de ocorrência e agora estamos todos neste processo”, conta um morador que pediu para não ser identificado.
Defesa
Para defender o processo e provar que a obra vai ter impactos irreversíveis para a cachoeira e para a comunidade, um advogado e um engenheiro vão ser contratados.
“Queremos compor nossa defesa e ainda proteger a cachoeira. Vamos provar o que estamos dizendo com o parecer técnico de um engenheiro especializado. A obra pode ser feita depois das cachoeiras, sem prejudicar o rio ou a comunidade que vive próxima dali. Agora a Sabesp já admitiu que não faz isso porque vai custar mais caro”, diz o morador.
Obras
Nesta segunda-feira (1), conforme solicitado em novembro pela Prefeitura de Ubatuba, as obras na cachoeira da Renata ainda estão paralisadas. O secretário de Meio Ambiente, Juan Blanco Prada, pediu ainda que a Sabesp apresentasse documentos que comprovem o tamanho do impacto ambiental que a construção pode causar, além das licenças para a realização da obra.
Segundo a pasta, até o momento, a Sabesp não apresentou a documentação que deveria ter sido entregue em 17 de novembro. Em nota o secretário destaca, “o objetivo com estas medidas é garantir o cumprimento do Plano Municipal Integrado de Saneamento Básico que prevê a proteção do patrimônio natural”.
Outro lado
Procurada pelo Meon, até o fechamento desta reportagem, a Sabesp ainda não havia se manifestado sobre o caso.
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