Pacientes de Taubaté ocupam mais de 90% dos leitos da Santa Casa de S. José
Informação é do secretário de Saúde de São José dos Campos, Paulo Roitberg


Informação é do secretário de Saúde de São José, Paulo Roitberg (á direita)
Rodrigo Ribeiro/Meon
Mais de 90% dos pacientes internados na Santa Casa de São José dos Campos são de Taubaté. A informação é do secretário de Saúde de São José, Paulo Roitberg, que na manhã desta quinta-feira (4), apresentou os resultados da avaliação das ações de regulação do modelo Vaga Zero, que foram discutidas há cerca de dez dias, entre representes das secretarias de saúde de São José e do Estado e dos hospitais da cidade.
“Mais de 90% dos pacientes internados na Santa Casa de São José são de Taubaté. Temos nossos pacientes em cima de macas e a gente não está conseguindo colocar na Santa Casa daqui. Depois da reunião com o Cross, ainda de uma forma tímida, nós já avançamos e conseguimos colocar sete pacientes com média complexidade nesta semana na Santa Casa via Cross”, diz Roitberg.
O Cross é a Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde, serviço ligado à Secretaria de Estado da Saúde, que determina, por exemplo, qual paciente se enquadra no atendimento de urgência e emergência, o chamado Vaga Zero.
“O Conselho Municipal de Saúde achou estranhíssimo a não participação da Diretoria Regional de Saúde de Taubaté e de algum representante da Santa Casa de São José na reunião de hoje (4/12). Não queremos discriminar nenhum cidadão de outra cidade, mas temos que discutir a situação dos munícipes daqui, porque dos leitos da Santa Casa, 96% são ocupados por pessoas que não são daqui”, diz o vice presidente do Conselho Municipal de Saúde de São José, Mario Hipolito.
“Tivemos a participação de responsáveis pelo HM (Hospital Municipal), pelo Antoninho da Rocha Marmo e pelo Pio XII, mas não estiveram aqui representantes da Diretoria Regional do Estado e da Santa Casa”, disse Roitberg.
Uma das ações determinadas na semana passada foi para agilizar as readequações de um espaço do HM, onde antes funcionava a UTI neonatal e que estava em reformas. “O HM tinha um espaço que vinha do neonatal, foi reformado e entregue a primeira parte agora, já disponibilizaram desde ontem (3/12) pra gente 20 leitos, o quê vai desafogar 20 pacientes que estavam na maca, e a segunda parte vai propor mais 20 leitos”, conta Roitberg.
Também foi decidido enviar para a Cross todos os pacientes que estão sem leito no HM. Antes, o hospital nunca teve a permissão da Cross para fazer isto, salvo em casos pontuais, de procedimentos específicos, quando a cidade não possui referência local. Agora, com o acordo de aprimoramento na regulação destas vagas, a cidade já pode adotar esse encaminhamento.
Atualmente, há duas crianças no Antoninho da Rocha Marmo, por exemplo, aguardando transferência, desde o dia 24 de novembro, pela Cross. As duas precisam de cirurgia cardíaca e na cidade não há unidade referenciada para esse tipo de procedimento. “Fazemos da vacinação até hemodiálise e implantes, mas ainda não fazemos cirurgia cardíaca em bebes, então se eu coloco esse paciente em vaga zero, eles tem que arrumar uma vaga pra ele em hospitais que fazem tal procedimento”, diz Roitberg.
“O cross é um órgão que fica em São Paulo, onde eles discutem as vagas através de relatórios, pelo sistema digital ou por telefone, e diante das gravidades que são colocadas pelos municípios eles ligam para o médico que está de plantão e encaminham para São José. Estabelecemos que o Cross não vai mais conversar com os hospitais diretamente, vai ligar pra central de regulação do município, entre médicos de regulação e eles vão definir essa vaga zero, e não o médico que esta de plantão”, conta Roitberg.
“Muitos pacientes eram encaminhados e não eram pacientes graves. Definimos que todo município que mandar o paciente via Cross vai assinar um termo de compromisso e receber esse paciente de volta se o caso não for de alta complexidade. Já os pacientes graves que vierem para São José, vão ser atendios normalmente, vamos fazer todo o atendimento e depois encaminhar o paciente para continuar o tratamento na sua cidade. Com isso você faz com que o leito seja mais eficiente para os pacientes de São José”, completa Roitberg.
Outro lado
Em nota, a Santa Casa comunica que sua Gestão SUS (Sistema Único de Saúde) é feita pelo Governo do Estado de São Paulo, pela DRS 17 (Diretoria Regional de Saúde). “Os pacientes das 39 cidades da RMVale são regulados e triados pelo Sistema Cross. O Hospital, de janeiro a outubro de 2014, teve sua capacidade ocupada em 43% por pacientes residentes em São José dos Campos e as contas foram pagas pelo Governo do Estado, não trazendo despesas à Prefeitura”, diz.
Também em nota, a Cross esclarece que não procede, de forma alguma, a informação de que os hospitais municipais de São José dos Campos estariam sofrendo com superlotação por conta de pacientes encaminhados via Cross. De janeiro à outubro deste ano, a Cross encaminhou a pedido de municípios da região, 1.445 para as unidades de saúde localizadas em São José, sendo 1.318 casos para a Santa Casa, que não é de gestão municipal, 62 casos para o Hospital Municipal Dr. José de Carvalho Florence, 61 casos para o Hospital Pio XII, 02 casos para o Hospital Infantil Antoninho da Rocha Marmo e 02 casos para a Central de Regulação da cidade.
“Portanto, é completamente equivocado afirmar, como faz a prefeitura, que a superlotação de suas unidades se deve à administração de vagas da Cross, uma vez que 91,2% dos casos encaminhados foram para a Santa Casa de São José dos Campos”.
“O DRS (Departamento Regional de Saúde) de Taubaté informa também que já havia agendado para hoje, dia 4 de dezembro, uma reunião com representantes regionais, incluindo a prefeitura de São José dos Campos, para discutir a implantação da rede Hebe Camargo de Combate ao Câncer no Vale do Paraíba. Porém, ao receber o convite para participação no encontro com a prefeitura de São José dos Campos, mesmo com uma reunião já agendada para mesma data, o DRS solicitou informações detalhadas sobre a pauta que seria discutida. Como não obteve retorno, o DRS não teve embasamento suficiente para cancelar a reunião sobre o serviço de oncologia e, por isso, comunicou a prefeitura sobre a inviabilidade de enviar um representante à reunião organizada pelo município”.
Vaga Zero
O Vaga Zero é um mecanismo criado pelo Estado para garantir o atendimento hospitalar dos pacientes em caso de urgência, instituindo que os serviços de saúde têm de receber pacientes, mesmo sem condições para tal, porque não há outra porta disponível para o encaminhamento.
Segundo a secretaria de Saúde de São José, a utilização desse expediente é gerador de conflitos entre gestores, reguladores e diretores de hospitais. O excesso de utilização de Vaga Zero indica uma demanda superior à capacidade, exigindo providências do gestor.
Ainda de acordo com a pasta joseense, na prática, pacientes que deveriam ser tratados em um primeiro momento em suas cidades são transferidos para hospitais de São José que, obrigatoriamente, abrem uma vaga zero, ocupando o lugar de pacientes da rede municipal que aguardam por exames e procedimentos de alta complexidade.
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