Prefeitura de São José dos Campos ameniza impacto da crise do coronavírus aos empresários da cidade
Em São José dos Campos foram fechados 5.982 postos de trabalho durante o mês de abril


Com a crise do novo coronavírus, muitos empresários sentiram o impacto da pandemia. No Brasil, só no primeiro mês de isolamento, 8,6 milhões de pessoas deixaram de trabalhar em empregos formais e informais, na comparação com o mesmo período de 2019.
Na RMVale o cenário não foi diferente, as três maiores cidades foram afetadas pela quarentena. Em São José dos Campos foram fechados 5.982 postos de trabalho durante o mês de abril. Para o Secretário de Inovação e Desenvolvimento Econômico, Alberto Alves Marques Filho, essa crise deixou muitas empresas expostas. “É evidente que sofremos uma retração econômica na cidade. Algumas empresas sentiram mais que outras. Empresas fecharam, mas não temos números, já que o processo de fechar uma empresa é demorado”, explica. Ele ressaltou que haverá um levantamento de empresas afetadas no período da quarentena.
O setor aeroespacial foi um das categorias mais afetadas. “Tivemos muitos relatos de demissão nessa área”, conta o secretário.
Para amparar os empresários da cidade, a Secretaria de Inovação e Desenvolvimento Econômico junto com a Prefeitura estruturou planos emergenciais para evitar uma crise maior. “Já no mês de março, a Prefeitura prorrogou o prazo de recolhimento do ISS (Imposto Sobre Serviço) até junho. Em todas as modalidades. As empresas ainda não pagaram o ISS”, informa Marques Filho. A ideia de prorrogar o prazo da cobrança do imposto era amenizar as perdas sofridas pelos empreendedores da cidade.
Para ajudar os pequenos empresários durante a pandemia da covid-19, o Banco do Povo ofereceu linhas de créditos especiais com juros reduzidos. “A procura pelo crédito aumentou 15% durante a pandemia”, diz o secretário. Os microcréditos vão de R$200 a R$20.000 para serem investidos nos pequenos negócios.
Para auxiliar médio e macro empresários, que faturam até 10 milhões de reais, a Prefeitura realizou, na sexta-feira passada (5), uma reunião online com mais de 60 empresas para tirar dúvidas sobre o crédito do ‘Desenvolve SP’, que oferece opções com prazos longos e taxas de juros mais competitivas.
O secretário Alberto Alves ressaltou que a Prefeitura manteve as obras para garantir empregos. “As obras não pararam e isso ajudou muito o setor da construção civil”.
“São José foi uma das primeiras cidades a propor o isolamento seletivo”, relembra o secretario que acredita que o desenvolvimento econômico da cidade vá retomando gradativamente. “A cidade está na Fase 2 e a nossa expectativa é ir para a Fase 3 nas próximas semanas se tudo estiver sob controle”, reforça.
Ele ainda observou que muitas empresas que tinham interesse em São José dos Campos não recuaram com os contratos durante a pandemia. “Inclusive, tem empresas que estão ainda mais animadas em investir em São José dos Campos”, conta otimista.
De acordo com o secretário, a Prefeitura já enxerga um cenário pós-pandemia, mas ainda é cedo para comentar como será a economia. “Não é possível a gente parar de cobrar impostos, mas precisamos pensar com cautela nos próximos passos”, explica.
Marques Filho acredita que a Embraer vai desenvolver ainda mais nos próximos meses mesmo sem o apoio da Boeing. “A aviação regional deve voltar a crescer e isso refletirá na Embraer”, conta.
PIB Nacional
Uma pesquisa elaborada pelo Sebrae e a FGV (Fundação Getúlio Vargas) , as micro e pequenas empresas (MPE) vêm desempenhando um papel cada vez mais estratégico na economia brasileira, e hoje já respondem por 30% do valor adicionado ao PIB do país.
Segundo o estudo, a força das MPE é notada principalmente nas atividades de Comércio e Serviços (que juntas respondem por 23% dos 30% do PIB). As características próprias desses segmentos, e o fato de estarem presentes em todos os bairros, de todos municípios brasileiros, possibilitam que as empresas de menor porte sejam competitivas e de importância fundamental no tecido social e na dinâmica econômica do país.
Analisando o peso das MPE por setor, a análise feita pelo Sebrae e FGV identificou que as MPE respondem por 53% do PIB dentro das atividades do comércio. Na Construção civil, foi observado um crescimento contínuo da participação das MPE no total do valor adicionado, saindo de 43% (em 2014), para 55% do PIB do setor (em 2017).
Em relação à geração de empregos formais, a importância das MPE é ainda mais significativa para a economia. Os pequenos negócios são responsáveis por mais da metade dos empregos formais no país, concentrados principalmente nas atividades de Comércio e de Serviços. As micro e pequenas empresas representavam, em 2017 (ano analisado pelo estudo), 66% dos empregos no Comércio, 48% nos Serviços e 43% na Indústria.
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