“As escolhas que fizermos agora, poderão moldar o que poderemos contar para nossos descendentes”

Professor compara coronavírus com outras pandemias e pontua semelhanças e diferenças entre as doenças

Escrito por: Nicole Almeida3 min de leitura
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Peste Negra eliminou um terço da população da Europa no século XIV (Reprodução)

A pandemia do novo coronavírus já atingiu cerca de 4,7 milhões de pessoas ao longo do mundo, com 315 mil casos de mortes. O cenário é semelhante ao que já vivenciamos em outros momentos, em que doenças se espalharam pelo mundo e causaram medo e espanto às pessoas.

A Peste Negra, por exemplo, eliminou um terço da população da Europa no século XIV.

“Imagine a população do século XIV da Ásia e Europa vendo seus parentes morrerem repentinamente com manchas negras no corpo sem saberem a origem, explicação ou cura para tal enfermidade”, relembra o professor Rodolfo Benedito dos Santos.

Enquanto parte da população morria, as pessoas faziam procissões para perdoar seus pecados, matavam gatos, pois simbolizavam as bruxas, e expulsavam judeus, pois estes não se contaminavam tanto por seus hábitos de higiene.

Isso elevava o número de ratos e contribuía para proliferação da doença. Demorou mais de 100 anos para perceberem que hábitos de higiene podiam melhorar a situação, enquanto hoje, tivemos o sequenciamento genético do coronavírus em dois dias.

Outro exemplo, é a Gripe Espanhola, que há pouco mais de 100 anos, deixou no mínimo 50 milhões de mortos no mundo. Os sintomas eram parecidos com o da Covid-19, e não existia cura.

A partir do século XVI em diante, populações da América foram dizimadas por epidemias como varíola, tifóide e sarampo. Na época, os povos afetados eram vistos como inferiores.

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A Gripe Espanhola deixou no mínimo 50 milhões de mortos no mundo. (Reprodução)

Rodolfo acredita que a grande semelhança entre as doenças, é a rápida proliferação do vírus, e que a informação hoje em dia, permite que as epidemias exterminem muito menos humanos do que em qualquer outro período anterior.

“Tal desenvolvimento de informações nos faz refletir que não podemos viver como na Idade Média ou no início do século passado. O mundo da informação está as nossas portas pedindo para entrar e enfrentar os desafios”, diz.

Ele reflete; “O grande problema está no excesso de informações. No que acreditar? Qual informação podemos considerar Fake News? No período medieval as informações da igreja católica eram a verdade, não se podia negar. E hoje, qual a verdade absoluta? A ciência esta aí para mostrar os erros cometidos durante a Peste Negra, varíola, influenzas, entre outras”.

João Paulo Roveda Guimarães, médico e diretor técnico da Santa Casa de São José dos Campos, afirma que a grande diferença entre enfrentar uma pandemia nos séculos passados e agora, é a comunicação e informação.

“A facilidade da comunicação permite que todos se atualizem e se preparem rapidamente para o enfrentamento adequado. Por conta disso, somam-se forças, dividem-se tarefas e evitam-se repetição de erros, além de já haver muito mais conhecimentos técnicos”.

O médico alega que, se por um lado, a tecnologia permite uma troca de informações mais efetiva, por outro, o excesso de informação facilita o pânico e faz com que os recursos disponíveis se esgotem mais rápidos.

O professor conclui:

“Nessa luta pela humanidade, vem outro aprendizado que essa doença pode nos deixar: a solidariedade. As escolhas que fizermos agora, poderão moldar o que poderemos contar para nossos descendentes.

Usar a história como mestra da vida, pesquisando as informações e agindo nelas e ao mesmo tempo criando teias de solidariedade das diversas formas, poderá mostrar o que aprendemos com a história”.

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Professor Rodolfo Benedito dos Santos relembra outros momentos em que população enfrentou pandemias. (Arquivo Pessoal)
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