Risco de manter caixa eletrônico dentro do comércio não vale a pena, diz ACI de São José dos Campos

Com 44 caixas eletrônicos explodidos somente neste ano no Vale do Paraíba, manter os aparelhos dentro de estabelecimentos comerciais virou atividade de risco. Com medo de retaliações comerciantes evitam falar sobre o caso, mas quem utiliza esse serviço percebe que há cada vez menos terminais instalados no comércio nas cidades da região.

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
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Com 44 caixas eletrônicos explodidos somente neste ano no Vale do Paraíba, manter os aparelhos dentro de estabelecimentos comerciais virou atividade de risco. Com medo de retaliações comerciantes evitam falar sobre o caso, mas quem utiliza esse serviço percebe que há cada vez menos terminais instalados no comércio nas cidades da região.

Isso porque, quando os caixas são detonados pelos assaltantes, os maiores prejudicados são os proprietários dos pontos comerciais. A maioria dos seguros não cobre os danos causados ao imóvel, fazendo com que o dono do estabelecimento arque com todo o custo da reconstrução de tudo o que foi danificado pela explosão.

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Proprietário é quem arca com prejuízos nas explosões do terminais

Divulgação

De acordo com o presidente da ACI (Associação Comercial e Industrial) de São José dos Campos, Felipe Cury, a tendência é que vejamos cada vez menos caixas eletrônicos dentro de comércios. Ele destaca que as medidas de segurança, como a instalação de câmeras, por exemplo, não têm intimidado os bandidos.

“Eles não se intimidam com nada. Nem com a ação dos policiais, que têm prendido alguns integrantes, nem com as medidas de segurança adotadas pelo comércio”, diz. Por causa disso, a posição oficial da ACI é que os comerciantes não adotem os terminais eletrônicos em seus estabelecimentos.

Para a ACI, o risco não vale a pena. “Normalmente um caixa eletrônico aumenta o fluxo dentro do comércio e algumas pessoas que vão para sacar um dinheiro acabam comprando alguma coisa. Mas quando você pensa que, por causa de um terminal desses, sua loja pode ser explodida ou, muito pior, que vidas sejam colocadas em risco, acho prudente não ter”, comenta.

Impasse
A situação fica pior quando comerciantes se veem em meio a um impasse entre polícia e bancos no que diz respeito ao combate a esses tipos de crime. Em entrevista anterior ao Meon, o então comandante da Polícia Militar na RMVale, o coronel Cássio Armani, afirmou que falta interesse dos bancos em tornar os caixas mais seguros.

“Me reuni em janeiro com a direção de segurança da Febraban e com a diretoria de quatro grandes bancos e, infelizmente, o que descobrimos foi que os bancos não melhoram as questões de segurança nos caixas eletrônicos porque perdem pouco nessas ações, algo em torno de 5% do total de prejuízo, outros 95% são causados por fraudes, inclusive via internet. Enquanto isso, o policial se arrisca para garantir a segurança pública”, afirmou à época.

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) por sua vez informa que é a polícia quem deve investir no combate ao crime. Por meio de assessoria de imprensa, a federação afirma que os bancos investiram mais de R$ 9 bilhões em segurança só em 2013.

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