São José e Taubaté melhoram índices de saneamento, aponta estudo
Segundo o Trata Brasil, de uma forma geral os indicadores de acesso à água e esgoto apontam estagnação no país


São José dos Campos e Taubaté estão no top 15 das cidades do país com melhor índice de saneamento básico. Os dois municípios foram os únicos da RMVale a ser incluídos no estudo sobre o tema, feito pelo Instituto Trata Brasil. Apesar disso, em âmbito nacional, os dados são preocupantes e mostram que o país estagnou na distribuição de água e tratamento de esgoto.
O ‘Ranking do Saneamento Básico 2020’, como é chamado, monitorou os 100 maiores municípios do país e tem como base dados do Snis (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), de 2018, divulgado anualmente pelo Ministério das Cidades.
Segundo o Trata Brasil, de uma forma geral “os indicadores de acesso à água e esgoto apontam estagnação no país”. Os dados revelam que 35 milhões de pessoas (16,38%) não tem acesso ao abastecimento de água; 100 milhões de pessoas (46,85%) não dispõem da cobertura da coleta de esgoto; e apenas 46% do volume de esgoto gerado no país é tratado.
Para o presidente executivo do instituto, Édison Carlos, com base nos dados colhidos é possível observar que a única saída para que haja uma melhora ou que o país consiga alcançar o objetivo assumido, de universalizar o saneamento básico até 2030, é preciso haver investimentos.
“Os indicadores que analisamos são de acesso ao esgoto tratado, quantidade de investimentos feitos e indicadores de perdas. O desafio maior para os municípios que estão com índices elevados é manter os resultados. Quando se perde investimento, perde-se também a qualidade do serviço e o reflexo disso é a uma população mais doente, imóveis desvalorizados etc”, explicou.
O saneamento básico na RMVale
Conforme o estudo, São José subiu um nível e ocupa a 8ª posição e Taubaté avançou sete níveis e, agora, passa a ocupar a 14ª posição. As duas cidades atingiram o índice de 100% na distribuição de água e 94,15% e 95,78% nos indicadores de esgoto tratado por água consumida, respectivamente.
“Diferente de outros municípios do país, São José e Taubaté são duas cidades que já têm indicadores bons de saneamento. O que falta para ter melhores índices é diminuir a perda de água, que está numa faixa média de 38%. Apesar de ter indicadores elevados, quando observamos entendemos que o desafio é que os marcadores sejam mantidos”, avaliou Édison Carlos, presidente executivo do instituto.
Sabesp investe média de R$ 8 milhões
A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) é o órgão responsável pela distribuição de água e tratamento de esgoto nos dois municípios e em grande parte da RMVale.
O superintendente da Sabesp no Vale do Paraíba, Augusto Leme, reconhece que há uma perda de água em São José e Taubaté, mas, segundo ele, a companhia tem feito investimentos e monitoramentos nessa área para evitar o prejuízo.
“A gente trabalha anualmente com pesquisas de vazamentos, sejam eles visíveis ou invisíveis. O problema maior são aqueles vazamentos que não conseguimos ver. Além disso, acompanhamos todas as redes de tubulações e fazemos constantes estudos e, onde há mais fragilidade, promovemos a substituição quando necessário. Para evitar as perdas, fazemos a ainda substituição periódica dos hidrômetros [‘relógio de água’], que perdem a medição quando passam da vida útil”, disse.
Ainda de acordo com Leme, em São José dos Campos são investidos anualmente de R$ 8 milhões a R$ 10 milhões e, em Taubaté, R$ 6 milhões. Nas duas cidades, a Sabesp tem focado também em ampliar os serviços, como por exemplo, construção de novos reservatórios e a criação de uma setorização para melhorar a distribuição e evitar perdas.
São José dos Campos e Taubaté somam mais de 800 mil usuários contemplados com a ligação da rede de esgoto e distribuição de égua.
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