Taubaté está perdendo seus prédios e legado histórico, afirma especialista

Prédios históricos e cartões-postais de Taubaté estão abandonados e ameaçados de não resistirem aos efeitos do tempo por falta de manutenção. Um a um, os espaços vão recebendo atenção conforme a Justiça determina ou a população se manifesta.

Escrito por: Elaine Rodrigues4 min de leitura
fundo_placeholder-023136

Prédios históricos e cartões-postais de Taubaté estão abandonados e ameaçados de não resistirem aos efeitos do tempo por falta de manutenção. Um a um, os espaços vão recebendo atenção conforme a Justiça determina ou a população se manifesta.

No centro, o prédio original do Mercado Municipal, inaugurado em 1915, foi engolido por estruturas e reformas que apagam suas características originais. Além disso, donos de bancas que funcionam dentro do mercado reclamam da infraestrutura, com goteiras, banheiros ruins e instalações elétricas expostas.

“Quando chove pinga mais aqui dentro que lá fora. Já tivemos reuniões com o prefeito (Ortiz Junior), que prometeu R$ 3 milhões para a reforma, mas até agora nada”, comenta Santina Maria de Jesus Lourenço, 60 anos, dona há 21 anos de uma das bancas de pastel do mercado.

Outros prédios, se não forem restaurados, podem representar uma perda histórica irreparável para Taubaté, como a Estação Ferroviária, a Capela do Pilar e Vila Santo Aleixo.

O professor e historiador Mauro Castilho alerta sobre a importância de que uma atitude seja tomada com urgência. “Taubaté foi a primeira cidade da RMVale a se transformar em um entreposto econômico, político e cultural e, por isso, possui um legado histórico materializado, que são seus prédios e capelas. Agora isso tudo pode se perder por descaso”, explica.

Castilho destaca dentre as construções, o caso da Capela do Pilar, no centro. Recentemente, a Diocese de Taubaté, responsável pelo prédio do século 18, preparou um projeto e agora busca a verba de R$ 2,3 milhões para o restauro.

“A Capela do Pilar é muito importante. É um dos poucos prédios no país que, desde a sua construção em 1748, até agora nunca foi alterado. Ele está exatamente igual, não recebeu nenhuma intervenção. Recuperar prédios como esse é recuperar a memória coletiva da cidade”.

Outro caso grave, segundo o especialista, é o casarão Vila Santo Aleixo, um complexo arquitetônico, urbanístico, cultural e natural de 1872, também esquecido no centro de Taubaté.

“A Vila Santo Aleixo não só tem que ser restaurada, como tem que se tornar algo que promova a cultura e a história. Não é só restaurar, é dar uso cultural e possibilitar que as pessoas conheçam e saibam que aquilo pertence à cidade e a todos nós, donos deste patrimônio”, concluí.

Outro lado
Procurada pelo Meon, a Prefeitura de Taubaté explicou a atual situação de cada um dos prédios e o que está sendo feito para restaurá-los.

Para a reforma do Mercado Municipal, está sendo feito um levantamento dos comerciantes locais e reuniões para adequar o  projeto já apresentado às necessidades de cada permissionário.

Na Vila Santo Aleixo, a prefeitura realiza desde julho a limpeza da casa e dos jardins. Segundo a administração, é realizado um levantamento das reais necessidades de preservação do imóvel, quais as ações mais emergenciais, quanto deve ser gasto e, assim, concluir um edital para a restauração completa.

Já foi constatado contudo, que o ponto mais crítico está no telhado, que exige um cuidado especial. Após o restauro, segundo a prefeitura, o espaço deverá ser transformado em uma extensão da Praça Santa Terezinha, com área de leitura, cafeteria, exposições de artes, pequenas apresentações teatrais e musicais, entre outras atividades culturais.

Para a Estação Ferroviária, está em trâmite um processo junto ao DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte) para concessão do prédio ao Instituto de Desenvolvimento e Sustentabilidade Humana. Depois disto, o imóvel poderá ser restaurado e utilizado em parceria com a prefeitura.

A Capela do Pilar será restaurada pela Fundação Dom Couto. Recentemente o Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) autorizou a adoção de medidas emergenciais para a reforma. A Fundação tenta apoio financeiro junto à Câmara e a Prefeitura de Taubaté para obter a verba.

Publicado em:

Posts Relacionados