Vítima que foi agredida por homofobia recebe alta e mãe desabafa

Crime aconteceu durante o Carnaval em São Paulo. “A gente vê no noticiário, mas não imagina que vai acontecer com o filho da gente”, afirma.

Escrito por: Nicole Almeida3 min de leitura
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Divulgação/Marcia Oliveira
Homem já tinha sido vítima de violência por sua orientação sexual antes em São José dos Campos. (Divulgação/Marcia Oliveira)

Um homem de 28 anos que foi agredido por três homens, no sábado (22) de Carnaval em São Paulo, e teve traumatismo craniano recebeu alta nesta segunda-feira (2). A vítima e o namorado foram agredidos após deixar uma festa LGBTQI+.

De acordo com o registro policial, o casal caminhava de mãos dadas em direção à Praça da República e passando em frente ao estacionamento de um edifício, três homens passaram a provocar os dois com comentários homofóbicos.

Ainda segundo a ocorrência, os suspeitos os agrediram e mesmo com uma das vítimas desacordada, continuaram as agressões repetidamente, só parando quando outras pessoas se aproximaram do local. A outra vítima teve escoriações leves.

Após a confusão, o casal chegou a ir ao apartamento em que moram, mas sentindo dor intensa na cabeça, uma das vítimas foi socorrida por familiares e levada ao Hospital Santa Paula, onde foi constatado traumatismo craniano. O homem passou por cirurgia e ficou dois dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), já recebeu alta.

O namorado afirmou que o prédio onde os agressores se esconderam, possuía câmeras de segurança e que conseguiria identificá-los. Por enquanto ninguém foi preso e o caso segue sendo investigado.

Divulgação/Marcia Oliveira
Homem passou por cirurgia e ficou dois dias na UTI (Divulgação/Marcia Oliveira)

A mãe do jovem de 28 anos, Márcia Oliveira, ficou muito abalada com a situação mas afirma que está esperançosa com a saída do filho da UTI. Segundo ela, ele ainda aparenta confusão mental, mas os sinais vitais estão bons e os resultados dos exames estão melhorando.

A maior preocupação de Márcia é a segurança do filho. Ela conta que ele já tinha sido vítima de violência pela orientação sexual antes em São José dos Campos, cidade onde ela mora há 14 anos. No época, ele levou uma paulada na perna. Atualmente, a vítima mora em São Paulo, onde trabalha.

“A gente vê no noticiário, mas não imagina que vai acontecer com o filho da gente. Eu to esperando pra conversar com ele, ver se ele quer ir embora para outro país. Aqui não tem sossego. A gente como mãe, não dorme”, afirma.

Márcia é coordenadora do grupo Mães pela diversidade no Vale do Paraíba, que tem como objetivo acolher as famílias de LGBTQI+ e lutar pelo direito dos filhos.

“A única coisa que queremos enquanto mães e famílias de LGBTs é a liberdade de nossos filhos de ir e vir. O direito que eles têm de ser felizes, como todos os outros filhos de outras famílias. Não estamos pedindo privilegio, só direito a vida e respeito”, conclui.

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