Arcebispo de Aparecida pede paz e diz que Evangelho não autoriza ódio contra quem pensa diferente

Durante a missa do Dia da Padroeira, Dom Mário Antônio Silva criticou divisões, guerras e preconceitos e defendeu o diálogo, a reconciliação e a atenção aos mais vulneráveis

Escrito por: Rubens Baracho3 min de leitura
Reprodução/A12
Reprodução/A12

O arcebispo de Aparecida, Dom Mário Antônio Silva, defendeu uma “paz desarmada e desarmante” e afirmou que o Evangelho não autoriza os cristãos a odiar quem pensa diferente. A declaração foi feita nesta segunda-feira (12), durante a missa solene do Dia de Nossa Senhora Aparecida, no Santuário Nacional, em Aparecida, no Vale do Paraíba.

Na homilia, o religioso criticou divisões, preconceitos e confrontos e afirmou que a mensagem cristã deve incentivar o diálogo e a construção de caminhos para a reconciliação. A expressão utilizada pelo arcebispo faz referência a uma mensagem defendida pelo papa Leão XIV.

“Sabemos que Jesus manda construir a paz. E aqui, escutando Leão XIV, uma paz desarmada e desarmante. Mas muitas vezes alimentamos divisões. Falamos com armamentos, com guerras e tantos confrontos entre nós. O Evangelho, queridos irmãos e irmãs, não nos autoriza a odiar quem pensa diferente e nem a matar os inimigos”, afirmou.

Na sequência, Dom Mário reforçou a necessidade de aproximar pessoas, em vez de ampliar conflitos.

“O Evangelho, sim, nos autoriza a construir pontes onde alguém abre precipícios ou túneis, onde alguém ergue muros”, declarou.

Arcebispo pede atenção aos mais vulneráveis

Durante a celebração, Dom Mário também fez um apelo contra a indiferença diante da fome, da pobreza, da violência e de outras situações de sofrimento. Ele citou crianças feridas, jovens sem esperança, idosos abandonados, famílias fragilizadas, guerras e a destruição da natureza.

“Quem escuta Deus não pode ficar indiferente diante da fome, da pobreza, da violência, da solidão. Não pode ficar indiferente diante das famílias feridas, das crianças também feridas, dos jovens sem esperança, dos idosos abandonados”, afirmou.

O arcebispo acrescentou que os fiéis não devem ignorar os conflitos e os problemas que atingem a população brasileira e outros países.

Primeira Festa da Padroeira sob comando de Dom Mário

A missa solene das 9h reuniu milhares de fiéis e autoridades no Santuário Nacional. A celebração marcou a primeira Festa da Padroeira conduzida por Dom Mário Antônio Silva desde que assumiu o comando da Arquidiocese de Aparecida, em 2 de maio de 2026.

Ele sucedeu Dom Orlando Brandes, que esteve à frente da arquidiocese por nove anos. O pedido de renúncia de Dom Orlando foi aceito pelo papa após o religioso completar 80 anos.

A abordagem de temas sociais durante a homilia segue uma tradição das celebrações de Dom Orlando, que, em anos anteriores, tratou de assuntos como desigualdade social, preservação ambiental, racismo e responsabilidade dos representantes eleitos.

Autoridades acompanham celebração em Aparecida

Entre as autoridades presentes na missa estavam o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), o político João Campos (PSB), o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Também participaram o prefeito de Aparecida e representantes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputam o segundo turno da eleição presidencial, não compareceram à celebração. Os dois tinham compromissos religiosos previstos em Brasília nesta segunda-feira.

Embora tenha abordado conflitos, divisões e a necessidade de diálogo, Dom Mário não citou diretamente as eleições nem a polêmica envolvendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida e os nomes dos dois candidatos.

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