Alunos

Conto: A senhora de vermelho

Conto escrito por Ana Flor Reginato Dias

colégio univap

Escrito por Ana Flor Reginato Dias

24 SET 2021 - 11H23

Reprodução: Pinterest Ana Flor 2 (Reprodução: Pinterest)

Acordei como de costume, os pés de minha cama iluminados com o brilho resplandecente do sol pois eu havia esquecido de fechar as cortinas na noite anterior, havia deitado às pressas pois sabia que no dia seguinte mamãe e eu iríamos ao cinema. Como não saíamos de casa há meses estava em êxtase apenas com a ideia de ver outros rostos que não fossem os dos meus pais.

Me levantei quando o relógio de minha cabeceira marcou 10:00 em ponto, íamos ao cinema logo depois do almoço e eu não queria me atrasar de jeito nenhum, tínhamos pego a sessão das 14:00.

Almoçamos em família e meu pai voltou aos seus afazeres de sempre, já eu e mamãe fomos nos preparar para a ida ao cinema, me arrumei o máximo que pude e saímos de casa ao 12:30, o cinema ficava a 30 minutos de casa e precisaríamos pegar uma estradinha de terra, então saímos mais cedo para chegar com tempo de sobra.

Estava tudo indo bem, o dia estava lindo e ensolarado, até que chegamos no meio do caminho e nosso carro morreu. Os painéis desligaram e ele não ligavam de jeito nenhum, estávamos no meio do nada então começamos a ficar desesperadas, apesar de ser uma estrada movimentada não víamos carro algum passando por lá.

Ficamos ali por horas, estávamos tristes por perder a primeira sessão, mas esperançosas de que teríamos a oportunidade de pegar a última sessão do dia, até que avistamos o que parecia ser um carro vermelho, vindo de longe.

Mamãe, ainda sentada no banco do motorista fez sinal para que parassem o carro, na esperança de obtermos ajuda, então aquele carro parou bem ao lado de minha janela, já que estava na parte contrária da pista e pude reparar que o carro era inteiro vermelho, mas em suas laterais haviam 2 listras branco, era um conversível com rodas brilhantes, parecia ter saído de um seriado dos anos 50.

Uma senhora de vermelho desceu do banco do passageiro, enquanto o que parecia ser seu marido continuava sentado no banco do motorista, olhando para frente, estático, como se estivesse em transe.

A senhora caminhou até minha janela e sem se abaixar nos perguntou: “Como posso ajudar? O carro deu problema?”, 10 segundos se passaram, minha mãe estava em silêncio e pude perceber uma expressão de horror surgindo em seu rosto, antes que eu pudesse falar qualquer coisa, mamãe sussurrou: “Não responda e não faça barulho, apenas ignore e finja que não escutou, e por tudo que é mais sagrado, não olhe nos olhos dela”.

Então mamãe levou sua mão até o pescoço, envolveu sua medalha de Nossa Senhora em suas mãos e começou a rezar, obeservei-a em silêncio, quando derrepente ouço a mesma voz que havia falado conosco alguns segundos atrás “Vocês estão bem? Estão precisando de ajuda?” - disparou a senhora. Pude ver o corpo de minha mãe estremecer enquanto lágrimas caiam de seu rosto, não entendia o porque daquilo, a senhora parecia completamente comum e simpática, então me virei para fita-la, apesar de mamãe ter dito que não podia, mas que mal teria em fazer aquilo?

Bom, quando olhei para minha janela, não conseguia ver o rosto da senhora, apenas a boca e o queixo, já que os olhos estavam para cima de minha janela, pude notar um sorriso medonho e malicioso em sua face, era como se ela pudesse me observar apenas pelo sorriso, só aquela cena foi capaz de arrepiar todos os pelos de meu corpo, senti-o estremecer como de minha mãe, estava paralisada, então movi meus olhos para baixo, com certa dificuldade, mas tinha esperanças de que aquilo me tiraria do transe.

Foi então que reparei que o lindo vestido vermelho que a senhora estava usando, na verdade era branco, eu podia ver alguns pequenos pontos brancos pelo vestido, nos locais em que ele não estava coberto de sangue. Pude reparar também que na parte inferior do vestido o sangue estava mais escuro e seco, como se estivesse ali a séculos, formando um degrade mórbido quando se encontrava com as partes superiores, onde o sangue se encontrava fresco e ainda em um vermelho vibrante.

Mamãe estava certa, jamais deveria ter a desobedecido. Naquele momento achei que fôssemos morrer. Não sabia o que aconteceria ali e o que tinha acontecido ao homem que ainda estava no carro. Ainda conseguia ouvir mamãe rezando, todas as preces que ela conseguia se lembrar, me juntei a ela mentalmente, pois ainda estava incapaz de me mover, então a senhora falou mais uma vez: “Já que não precisam de mim irei embora, ingratas!”.

A senhora se virou e voltou ao seu carro, ela e o homem seguiram viagem. Eu e mamãe nos olhamos, catatônicas, naquele momento não queríamos mais cinema algum, queríamos apenas voltar a nossa casa e esquecer de tudo isso.

Aparentemente ficamos horas na estrada, o céu já começava a se transformar em um preto profundo e triste.  Alguns minutos depois o painel do carro se acendeu novamente, mamãe girou a chave e o carro ligou, finalmente voltaríamos para casa.

Percorremos o mesmo caminho em que viemos e chegamos em casa rapidamente, assim que entramos fui em direção em meu quarto, queria apenas me deitar e dormir até o dia seguinte, queria tirar aquela cena horrenda de minha cabeça.

Deitei em minha cama e quando olhei para frente, ali estava ela, a senhora de vermelho, parada, me fitando, com seu sorriso malicioso e demoníaco, seu vestido vermelho sangue e agora, com seus olhos profundamente negros. Olhá-los era como pular de um abismo, me afogar em águas tortuosas ou ser enterrada viva e eu estava lá, paralisada novamente, sem conseguir mexer nenhum músculo de meu corpo, e temendo por minha vida.

Com supervisão de Yeda Vasconcelos, jornalista do Meon Jovem.





Escrito por
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Ana Flor Reginato Dias

1º ano do Ensino Médio - Colégio Univap - Unidade Centro - São José dos Campos

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