1994: documentário revive ano que abalou estruturas do rock nacional

“Sem Dentes: Banguela Records e a Turma de 94” estreia em julho

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
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Geração é retratada como a mais inventiva do rock no Brasil

Divulgação

Teve tetracampeonato da seleção brasileira, teve Plano Real, eleições para presidência, morte de Ayton Senna, morte do Mussum, morte do Tom Jobim. Só por isso, 1994 já merecia um espaço de destaque na década de 1990. Mas, não ficou só por aí. Há 21 anos nascia uma cena musical que apresentava ao país nomes como Chico Science, Raimundos, Skank, Pato Fu, Planet Hemp, entre tantos outros.

O surgimento dessa geração de bandas e toda a sua inclinação para a “mistureba” de influências está registrado no documentário “Sem Dentes: Banguela Records e a Turma de 94”. O material tem direção de Ricardo Alexandre, autor da biografia de Wilson Simonal. O jornalista divide o roteiro com o também jornalista Alexandre Petillo, aparecidense radicado em São José.

Os dois começaram a tocar a empreitada no ano passado, data na qual comemorava-se os 20 anos de criação da Banguela Records. Fundada por membros do Titãs em parceria como produtor Carlos Eduardo Miranda e com o financiamento da Warner Music, o selo independente lançou nada menos do que Raimundos, Mundo Livre S/A, Maskavo Roots, entre outros.

“O (Carlos Eduardo) Miranda foi quem conseguiu convencer os Titãs a dar voz para essas bandas novas. Ele era repórter da revista Bis e andava com uma sacola de demos dos caras, atormentando todo mundo para ouvir. A partir daí, depois que o selo foi criado, a coisa deslanchou. Outras gravadoras, como a Sony, também foram atrás de seus selos independentes, o que abriu ainda mais espaço para essa galera”, afirma Petillo.

O doc começou a ser rodado em fevereiro de 2014. Desde então, a equipe realizou mais de 20 entrevistas com músicos, produtores e jornalistas, gente que ajudou a construir a história de uma das mais ricas gerações de músicos do rock nacional.

“Uma coisa interessante que o documentário aborda é essa geração se apropriando do rock como manifestação nacional. Até então fazia-se rock no Brasil, mas o rock brasileiro mesmo, trazendo elementos da nossa cultura, como o forró e o maracatu, foi um legado dessa geração”, explica.

Além das entrevistas, o documentário também traz imagens raras e outras inéditas de apresentações e bastidores. Sem a intenção de carregar no saudosismo, a dupla de jornalistas buscou imprimir um ritmo ágil ao longa, apontando também a relação desta nova turma com os músicos que fizeram a cena da década de 1980.

“Essa ‘passada de bastão’ dos músicos que fizeram a geração de 80 é uma das primeiras questões abordadas no filme. Quando essas bandas surgiram, os ícones do rock naquela época estavam fazendo um som menos voltado para a galera mais jovem. Isso abriu uma lacuna no mercado, invadido por estilos mais populares, como o sertanejo, a lambada…”, conta.

Estreia

 “Sem Dentes” está na programação do festival de documentários musicais In-Edit, que acontece no Cine Olido, em São Paulo. A estreia está prevista para o dia 4 de julho, às 16h45. Após a primeira apresentação do longa está agendado um show com a banda Autoramas.

O festival realiza mais duas exibições do documentário. No dia 5 de julho, às 17h30 na Cinemateca Brasileira, e, no dia 10, às 20h no Centro Cultural de São Paulo. Depois disso, o doc passa por São José dos Campos, onde será exibido no Sesc, dia 11. Sesc Jundiaí, no dia 18, Sesc Presidente Prudente, dia 22, e Sala Mínima, em Porto Alegre, dia 27, são as próximas paradas do documentário.

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