Alexandre de Moraes procurou presidente do Banco Central para interceder pelo Banco Master

Segundo coluna de Malu Gaspar no jornal O Globo, Alexandre de Moraes teria buscado presidente do Banco Central para tratar da situação do Banco Master em ao menos quatro ocasiões. Nem o ministro nem o BC se manifestaram oficialmente até o momento.

Escrito por: Meon Redação3 min de leitura
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, teria procurado o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, pelo menos quatro vezes neste ano para tratar de assuntos relacionados ao Banco Master, instituição financeira que enfrenta investigação por suspeitas de irregularidades federais, segundo coluna da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, publicada nesta segunda-feira (22/12/2025).

De acordo com a reportagem, os contatos entre Moraes e Galípolo ocorreram em diferentes formatos, incluindo pelo menos três chamadas telefônicas e um encontro presencial. Em todas as ocasiões, o ministro abordou a situação do Banco Master — banco que passou por uma turbulência de liquidez e teve processo de venda em andamento — e buscou informações sobre o andamento dessa operação, que envolvia sua transferência para o Banco Regional de Brasília (BRB).

Ainda segundo a coluna, o ministro teria solicitado a Galípolo que a operação de venda fosse aprovada pelo BC, argumentando a importância da medida. Posteriormente, a transação passou a ser alvo de investigação da Polícia Federal, que apura indícios de fraudes e irregularidades em operações financeiras vinculadas ao banco.

A divulgação do conteúdo gerou reação imediata no meio político e jurídico, em meio a um ambiente de forte cobrança por transparência nas relações entre autoridades públicas e instituições financeiras em momentos sensíveis de mercado e regulação. Apesar das informações terem sido atribuídas à coluna de Malu Gaspar, nem Alexandre de Moraes nem o Banco Central emitiram declarações oficiais até o momento sobre o teor das conversas.

O Banco Master estava sob supervisão e havia desenrolado processo de venda nos últimos meses, em um movimento acompanhado de perto por analistas do setor e autoridades regulatórias, considerando que instituições envolvidas em operações dessa natureza demandam aprovação expressa do BC.

A reportagem de O Globo também destaca que Moraes teria dito a ao menos um interlocutor que aprecia o trabalho de Daniel Vorcaro — controlador do Master — e sustentou que a atuação do banco deveria ser vista como parte do ambiente competitivo do setor financeiro brasileiro, enfrentando concorrência de grandes bancos.

Especialistas em regulação de mercado ouvidos por diferentes veículos ressaltam que a abordagem de integrantes do STF junto ao Banco Central em temas relacionados a aprovação de operações bancárias é incomum e potencialmente sensível, especialmente quando diz respeito a um processo que acabou atraindo investigação federal.

O episódio ocorre em um contexto de maior escrutínio público sobre relações entre autoridades públicas e decisões que impactam instituições financeiras e economia, num momento em que o setor regulatório brasileiro passa por intensos debates sobre compliance, supervisão e integridade do sistema financeiro.

Procurado para comentar o caso, o Banco Central limitou-se a informar que “não divulga detalhes de contatos informais entre autoridades e a Presidência da instituição” e que todas as decisões seguem estritamente os critérios técnicos e legais previstos em normativos. A defesa de Alexandre de Moraes também não respondeu até o momento às solicitações de comentário feitas pela reportagem.

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