Esquema usava ‘VR’ para lavar dinheiro dentro da Polícia Civil de SP
Investigação aponta que organização criminosa usava cartões de vale-refeição para lavar dinheiro do tráfico

O Ministério Público de São Paulo investiga um esquema de corrupção envolvendo cartões de vale-refeição no estado. Segundo o MP, as apurações apontam a existência de uma organização criminosa que utiliza os ‘VR’ ´ para lavar dinheiro do tráfico de drogas dentro de departamentos da Polícia Civil do Estado de São Paulo.
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Segundo o órgão, o dinheiro obtido com o tráfico, recebido em espécie, era usado para comprar os cartões de alimentação. Em seguida, os tickets eram utilizados em padarias e pequenos mercados de fachada.
Esses estabelecimentos transferiam os valores para empresas fictícias, permitindo que o dinheiro fosse convertido em créditos com aparência lícita e reinserido no sistema financeiro.
Um dos principais alvos da investigação é Cléber Azevedo dos Santos, citado em conversas interceptadas como “Cléber do ticket”, apontado como figura central na operação de lavagem.
De acordo com o Ministério Público, policiais civis tinham papel fundamental no esquema, atuando para impedir o avanço de investigações que poderiam atingir as empresas envolvidas.
Nos registros analisados pelos investigadores também aparecem expressões como “despesas Ticket delegacia”, usadas para identificar pagamentos feitos a agentes públicos.
Para os promotores, as delegacias envolvidas teriam se transformado em “balcões de negócios” para garantir que o esquema não fosse desmantelado.
Operação Bazaar
Na manhã desta quinta-feira (5), o Ministério Público de São Paulo e a Polícia Federal deflagraram a Operação Bazaar, que investiga corrupção e lavagem de dinheiro dentro da polícia paulista.
Ao todo, são cumpridos 25 mandados de busca e apreensão — inclusive em unidades policiais — além de 11 mandados de prisão e seis medidas cautelares diversas da prisão.
Entre os alvos estão os doleiros Leonardo Meirelles e Meire Poza, conhecidos por terem sido investigados na Operação Lava Jato. Eles são apontados como operadores financeiros do grupo.
Até o momento, nove pessoas foram presas, entre elas dois investigadores, um escrivão, um delegado e Meire Poza. Os demais detidos são suspeitos de integrar a organização criminosa.
As autoridades ainda tentam localizar Leonardo Meirelles e outro integrante do grupo.
A decisão judicial que autorizou a operação cita um “elevado grau de prática de corrupção sistêmica” envolvendo policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais, do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania e do 16º Distrito Policial, na Vila Clementino.
Segundo os investigadores, o grupo era formado por doleiros, operadores financeiros e pessoas com histórico de lavagem de dinheiro. A organização atuava de forma coordenada para proteger suas atividades criminosas, pagando vantagens indevidas a agentes públicos e manipulando investigações.
A operação é conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado, com apoio da Corregedoria da Polícia Civil. Também foram determinadas correições extraordinárias nas unidades policiais investigadas para apurar possíveis irregularidades administrativas.
A defesa dos investigados citados na operação ainda não foi localizada. O espaço permanece aberto para manifestações.
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