Hospital do Rio ainda tem atendimento afetado pela crise
Embora em boletim divulgado nesTa quarta, 6, a Secretaria de Saúde do Estado do Rio tenha divulgado que o Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, zona oeste, está “funcionando normalmente” e “sem restrições”, pacientes ainda enfrentam problemas graves decorrentes da precariedade do atendimento. Vítima de um derrame no domingo, Olindina José da…

Embora em boletim divulgado nesTa quarta, 6, a Secretaria de Saúde do Estado do Rio tenha divulgado que o Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, zona oeste, está “funcionando normalmente” e “sem restrições”, pacientes ainda enfrentam problemas graves decorrentes da precariedade do atendimento. Vítima de um derrame no domingo, Olindina José da Silva Vicente, de 66 anos, ainda não teve o resultado da tomografia analisado por um neurocirurgião.
Enquanto a família da doente aguardava no saguão, no andar superior, autoridades do Estado e da Prefeitura do Rio reuniam-se para acertar detalhes da municipalização do hospital. Está prevista para esta quinta, 7, a incorporação do Albert Schwitzer pela rede municipal de saúde, como parte do acordo de ajuda da prefeitura à gestão em crise do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). A unidade chegou a ter a emergência suspensa no fim de dezembro.
“Não importa quem vai administrar. O que não pode é esperar três dias para um médico dizer se precisa de cirurgia”, reclamou Marta Rejane Souza Ribeiro, 40 anos, nora da paciente. Segunda ela, os parentes precisaram recorrer a um médico amigo para que analisasse o resultado da tomografia. A Secretaria Estadual de Saúde divulgou que Olindina foi atendida por uma equipe multidisciplinar, que inclui neurologista.
Além do hospital de Realengo, a prefeitura assumirá o Hospital Rocha Faria, em Campo Grande, também na zona oeste, a partir da próxima segunda-feira. Os dois continuarão geridos por organizações sociais (OSs), mas as atuais gestoras terão os contratos rompidos. “Vai ser de forma amigável, não teremos que ressarcir”, disse o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz.
O rompimento do contrato com a OS Hospital Maternidade Therezinha de Jesus (HMTJ), responsável por administrar o Albert Schweitzer, será em 31 de janeiro. No dia seguinte, entrará em vigor um contrato emergencial com a HMTJ, válido por 180 dias. Neste período, uma nova concorrência pública deverá ser realizada para contratação da OS que vai gerir o hospital com recursos do município. O contrato da HMTJ terminaria em fevereiro de 2017. A OS não se manifestou sobre as mudanças. O trâmite será o mesmo em relação ao Rocha Faria, mas ainda não há definição se a OS Pró-Saúde continua na unidade durante o contrato emergencial.
Os dois hospitais receberam nessa quarta, 6, aporte financeiro de R$ 26 milhões. Os recursos integram a segunda parcela do empréstimo de R$ 100 milhões que o prefeito Eduardo Paes (PMDB) anunciou em dezembro como um socorro ao governo estadual na área de saúde. O secretário municipal de Governo, Pedro Paulo Carvalho, afirmou que o dinheiro manterá o salário dos funcionários em dia e os serviços em funcionamento. De acordo com ele, a prefeitura assume os hospitais sem ter de arcar com dívidas do governo estadual com as OSs, pois “está tudo em dia”.
O Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro criticou a municipalização dos hospitais. A entidade reclama que a decisão foi tomada sem ter passado pelo Conselho Estadual de Saúde.
“Também não podemos esquecer que, recentemente, a OS dos hospitais municipais Ronaldo Gazolla e Pedro II foi flagrada em desvio de verbas. A prefeitura ainda não esclareceu a falta de fiscalização neste caso e agora vai assumir um serviço de maior complexidade”, disse a vice-presidente do sindicato, Sara Padron.
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