Lula fecha mandato com o maior déficit nominal desde o Plano Real e arrecadação recorde em R$ 2,6 trilhões
Lula fecha mandato com maior déficit nominal desde o Plano Real, apesar da arrecadação recorde de R$ 2,6 trilhões até novembro. Veja detalhes.

São José dos Campos (SP) — O governo Lula entra na reta final do mandato com um paradoxo fiscal: a arrecadação federal atingiu um patamar recorde, mas o déficit nominal segue em nível capaz de sustentar a leitura de maior resultado médio negativo desde o Plano Real. Projeções de mercado divulgadas ao longo de 2025 apontam o déficit nominal do Brasil em torno de 8,6% do PIB no ano e indicam que, na média do ciclo 2023–2026, o rombo tende a permanecer acima de 8% do PIB — um desenho dominado pelo custo dos juros da dívida e por uma dinâmica de despesas que mantém a conta completa no vermelho mesmo quando a receita cresce. 
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O recorde de arrecadação tem número e período: de janeiro a novembro, as receitas federais somaram R$ 2,6 trilhões na série ajustada pela inflação, com alta real de 3,2% sobre o mesmo intervalo do ano anterior. Novembro fechou com R$ 226,8 bilhões, o maior valor já registrado para o mês desde o início da série histórica, consolidando um fluxo de caixa robusto para a União no fim do ano e reforçando a percepção de base arrecadatória forte em tributos e contribuições. 
O problema é que o indicador que domina a discussão sobre solvência não é a arrecadação isolada, e sim o déficit nominal — a conta que soma o resultado primário ao pagamento de juros. Em ambiente de juros elevados e dívida grande, os encargos financeiros passam a determinar o saldo final: a despesa com juros cresce, a rolagem fica mais cara e o déficit nominal permanece alto mesmo quando o primário melhora. É esse mecanismo que explica por que recordes de arrecadação convivem com uma fotografia fiscal deteriorada e com pressão sobre o custo do crédito no país. 
Os dados oficiais recentes ajudam a dimensionar o peso do componente financeiro. Em 2024, o setor público consolidado registrou déficit nominal de R$ 998 bilhões (8,45% do PIB), após R$ 967,4 bilhões (8,84% do PIB) em 2023, segundo números divulgados pelo Banco Central. No miolo de 2025, estatísticas e relatórios também passaram a apontar que a trajetória dos juros e da dívida segue como variável central para a manutenção do rombo nominal em patamar elevado. 
No horizonte do mandato, a expressão “maior déficit nominal desde o Plano Real” aparece associada a uma combinação de projeções: estimativas publicadas em 2025 colocaram o Brasil entre os países com pior déficit nominal do mundo e apontaram um déficit nominal médio do governo atual acima de 8% do PIB ao longo de 2023–2026. Na prática, esse número resume a dificuldade de reduzir a conta completa sem uma queda consistente do custo da dívida, além de medidas capazes de estabilizar o crescimento das despesas e manter receitas recorrentes em alta. 
Para a economia real, a consequência direta é previsibilidade mais cara. Déficit nominal elevado tende a aumentar a sensibilidade do mercado ao risco fiscal e, com isso, influencia juros longos, custo de financiamento do Tesouro e a ponta do crédito para famílias e empresas. No Vale do Paraíba, isso aparece em financiamentos imobiliários e de veículos mais caros, capital de giro mais pesado para comércio e indústria e maior cautela em investimentos produtivos, especialmente nos setores que dependem de crédito para expansão e contratação. 
Com a arrecadação já em nível recorde até novembro, o fechamento de 2026 dependerá do que mais pesa no déficit nominal: o custo dos juros e a trajetória da dívida. O próximo passo concreto é a consolidação dos resultados fiscais ao longo de 2026 — ano em que metas do arcabouço, execução de despesas e comportamento dos juros vão definir se o governo consegue reduzir o rombo nominal ou se confirma, na média do ciclo 2023–2026, o maior déficit desde a estabilização do Real.
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