Polícia Legislativa retira Glauber Braga após ocupação na Câmara
Polícia Legislativa retira Glauber Braga da Presidência da Câmara após protesto contra cassação e “dosimetria” da anistia

Brasília — A Polícia Legislativa retirou o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) do plenário após ele ocupar a cadeira da Presidência, gesto que escalou o clima de tensão em meio à análise do projeto que reduz penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro, a chamada “dosimetria” da anistia. A intervenção foi determinada pelo presidente em exercício da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), depois que o parlamentar se recusou a desocupar a Mesa Diretora. Durante a confusão, a sessão foi paralisada e houve relatos de restrição à imprensa e instabilidade na transmissão oficial da TV Câmara.
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O episódio ganhou contornos de ruptura do rito legislativo porque ultrapassou os mecanismos formais de obstrução previstos no Regimento Interno — como requerimentos, verificação de quórum e uso do microfone — e transformou a cadeira da Presidência em palco de protesto. Glauber buscava, ao mesmo tempo, denunciar a pauta do projeto sobre as penas do 8 de janeiro e pressionar contra a votação de seu processo de cassação no plenário, que tramita desde a aprovação do parecer no Conselho de Ética e a manutenção pela CCJ.
A turbulência rapidamente mobilizou lideranças de governo e oposição. Aliados do deputado criticaram a decisão de acionar a Polícia Legislativa e apontaram falta de transparência na condução da sessão. Já integrantes do campo conservador afirmaram que a ocupação da Mesa rompeu regras elementares do funcionamento do Parlamento e transformou a resistência política em confronto físico, alegando que a esquerda cobra respeito ao regimento quando a direita obstrui, mas relativiza quando o ato parte de seus quadros.
No pano de fundo, está a disputa sobre o alcance do projeto que revê punições aos réus dos ataques de 8 de janeiro. Defensores do texto falam em correção de excessos e calibragem das penas; críticos enxergam uma anistia disfarçada, com potencial de beneficiar inclusive o ex-presidente Jair Bolsonaro, investigado em outros processos. O impasse contaminou a pauta e levou à sucessão de manobras regimentais, em um Congresso polarizado e pressionado por suas bases nas redes.
A Mesa Diretora indicou que buscará retomar os trabalhos e pautar tanto o projeto da “dosimetria” quanto o caso de cassação de Glauber nos próximos dias, após a análise de questões de ordem e a consolidação dos entendimentos jurídicos. O gabinete do deputado informou que ele seguirá em defesa do mandato e que considera ilegítima a retirada pela Polícia Legislativa. A Presidência da Câmara, por sua vez, afirma que agiu para garantir o andamento da sessão e o cumprimento do regimento. Novas deliberações devem definir se haverá sanções internas pelo ato de ocupação e quando as votações serão retomadas.
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