Famílias começam a deixar condomínio invadido no Rio
As primeiras das 200 famílias que no último sábado ocuparam ilegalmente um condomínio do Minha Casa Minha Vida (MCMV) começaram nesta sexta-feira, 14, a deixar os apartamentos, em Guadalupe, na zona norte do Rio. Após 20 minutos de conversa com os moradores, o comandante do batalhão de Polícia Militar da área afirmou acreditar numa desocupação…

As primeiras das 200 famílias que no último sábado ocuparam ilegalmente um condomínio do Minha Casa Minha Vida (MCMV) começaram nesta sexta-feira, 14, a deixar os apartamentos, em Guadalupe, na zona norte do Rio. Após 20 minutos de conversa com os moradores, o comandante do batalhão de Polícia Militar da área afirmou acreditar numa desocupação pacífica tão logo chegue o oficial de Justiça com a decisão de reintegração de posse em mãos. Isso deve acontecer até segunda-feira, 18. Uma operação policial, entretanto, ainda não está descartada.
Na terça-feira, 11, um traficante segurando um fuzil foi flagrado circulando pelo condomínio e, no dia seguinte, homens armados foram vistos na mata do morro ao lado. Entretanto, para o comandante do 41º BPM (Irajá), tenente-coronel Luiz Carlos Leal, e os criminosos não estão entre os ocupantes dos 240 apartamentos.
“Aqueles traficantes passaram pelo condomínio, e nós então colocamos diariamente duas viaturas (e um ‘caveirão’) aqui para impedir que eles voltassem e se misturassem aos moradores”, disse o militar. O oficial entrou sozinho para conversar com as famílias e, no fim, foi aplaudido pelos invasores.
Representante das famílias, a professora de capoeira Celi Santana confirmou que criminosos estiveram nos prédios logo após a ocupação, mas negou que o movimento tenha sido ordenado por eles. “Não podemos impedir a entrada deles (traficantes). Como aqui a área é dominada pelo Comando Vermelho, eles vieram para saber se não se tratava de uma invasão de facção rival”, disse.
A maioria dos ocupantes veio da favela do Gogó, que fica literalmente ao lado do condomínio e faz parte do complexo de comunidades do Chapadão. A área ainda não tem Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e hoje a principal região de confrontos entre policiais e traficantes no Rio.
“Os prédios estavam prontos havia oito meses, sem ninguém dentro. E nós morando no lixo, logo ao lado. Queríamos um Natal digno este ano, colocar a ceia tranquilos na mesa, sem medo do teto desabar com a chuva”, disse Celi.
O comandante do 41º BPM criticou o que chamou de “falha de comunicação” da Prefeitura. “Constrói um condomínio ao lado da favela, o morador acha que é para ele. Tem de explicar melhor, e estou dizendo isso hoje aos moradores, que podem se cadastrar no MCMV”.
Os prédios foram construídos pela empresa BR4 e estavam em fase de “legalização” segundo a Caixa Econômica Federal, que contratou a construtora. Em dezembro, seriam entregues à Prefeitura do Rio, que informou já ter “sorteado” os futuros moradores, na faixa de renda de até três salários mínimos.
Nesta sexta, os ocupantes permitiram a entrada da imprensa no condomínio e protestaram contra o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), que esta semana os chamou de “malandros e vagabundos”. “Aqui tem pais e mães de família, trabalhadores. Nenhum de nós era vagabundo quando vieram aqui há dois anos pedir voto pra ele”, disse o pintor Helivelton Silva, de 24 anos.
Além de sujos, com poeira e lama na maior parte do piso, os prédios estavam nesta sexta com janelas quebradas.
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