Greve da CPTM provoca 768 km de congestionamento em São Paulo nesta quarta-feira

Paralisação dos ferroviários entra no segundo dia; linhas 11-Coral e 12-Safira operam de forma restrita e governo reforça ônibus do sistema Paese

Escrito por: Rubens Baracho4 min de leitura
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A cidade de São Paulo registrou 768 quilômetros de congestionamento na manhã desta quarta-feira (5), no segundo dia da greve dos ferroviários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

O rodízio municipal de veículos continua suspenso por causa da paralisação, que afeta a circulação de passageiros e aumenta o movimento nas ruas e avenidas da capital.

Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), apesar do impacto provocado pela greve, o congestionamento desta manhã não superou os maiores índices registrados em 2026. O recorde do ano foi de 1.059 quilômetros, em 12 de março. Já a maior marca histórica de congestionamento no período da manhã foi de 1.225 quilômetros, registrada em 10 de fevereiro de 2020.

Como estão as linhas da CPTM

No segundo dia de paralisação, as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade apresentam diferentes níveis de operação.

A Linha 11-Coral funciona apenas no trecho entre Guaianases e Palmeiras-Barra Funda.

Na Linha 12-Safira, os trens circulam somente entre Engenheiro Goulart e Brás.

Já a Linha 13-Jade opera normalmente desde as 6h, mas com intervalos de 30 minutos entre Engenheiro Goulart e o Aeroporto Internacional de Guarulhos, período superior ao habitual.

Para reduzir os impactos da paralisação, o sistema Paese foi reforçado com ônibus nos trechos afetados.

Ao todo, foram disponibilizados 95 ônibus para atender a Linha 11, 90 para a Linha 12 e outros 10 veículos para dar suporte à Linha 13. O Metrô também opera com frota reforçada nas linhas.

CPTM e sindicato divergem sobre decisão judicial

A greve também provocou uma disputa entre a CPTM e o Sindicato dos Ferroviários em relação ao cumprimento de uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

Segundo o presidente da CPTM, Michael Cerqueira, o sindicato não estaria cumprindo a determinação judicial que estabelece a manutenção de pelo menos 80% do efetivo nos horários de pico e 60% nos demais períodos.

De acordo com Cerqueira, cerca de 40% do efetivo está trabalhando e somente 3% dos maquinistas teriam comparecido ao serviço.

Em razão do suposto descumprimento, o sindicato está sujeito a uma multa diária de R$ 400 mil.

O diretor executivo da entidade, Luiz Júnior, contesta a medida e considera a aplicação da multa controversa. Segundo ele, os percentuais determinados pela Justiça estão sendo respeitados pelos trabalhadores.

Funcionários serão demitidos?

A CPTM também afirma que não há demissões em andamento relacionadas ao processo de concessão das linhas. Segundo a companhia, o governo estadual garantiu às lideranças sindicais a manutenção dos empregos durante o processo de realocação dos funcionários.

Conforme o governo paulista, a CPTM possui 4.648 funcionários. Desse total, 2.171 trabalham na Linha 10-Turquesa, enquanto os demais foram ou serão direcionados para estruturas como o Metrô, a Artesp, a Arsesp e outros órgãos.

Por que os ferroviários estão em greve?

Os trabalhadores protestam contra a privatização das linhas da CPTM para a empresa Trivia Trens e cobram garantias formais de estabilidade e preservação dos empregos.

O governo estadual, por outro lado, afirma que o sindicato decidiu pela paralisação mesmo depois de a gestão estadual assumir o compromisso de que não haveria demissões durante o processo de realocação dos servidores.

A operação das linhas havia retornado temporariamente ao controle da CPTM por 90 dias após um incêndio em um vagão provocado por um curto-circuito no pantógrafo, no Brás, no fim de julho. O episódio levou a Artesp a investigar possíveis falhas contratuais relacionadas à concessionária Trivia Trens.

Negociação nesta quarta-feira

Representantes da CPTM e do sindicato devem participar de uma nova rodada de negociações às 12h desta quarta-feira.

Mais tarde, às 17h, os trabalhadores têm uma assembleia geral marcada para avaliar os próximos passos do movimento e decidir se a greve será mantida.

Enquanto não há acordo, passageiros que dependem das linhas afetadas enfrentam restrições no transporte sobre trilhos e aumento da circulação de veículos nas vias da capital.

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