HB20: virtudes muito especiais
A Hyundai ainda está comemorando o sucesso da Copa do Mundo no Brasil. Não o pífio resultado da Coreia do Sul, eliminada pela Bélgica na primeira fase do torneio, mas as boas vendas da série especial do hatch HB20 e do sedã HB20S alusiva ao Mundial. E a boa notícia não é privilégio da marca asiática – em geral, as edições limitadas, que se destacam pela ampla oferta de equipamentos, são um ótimo negócio tanto para a montadora quanto para o consumidor.


Hyundai hatch HB20 e sedã HB20S conquistaram os consumidores durante a copa
Divulgação/Hyundai
A Hyundai ainda está comemorando o sucesso da Copa do Mundo no Brasil. Não o pífio resultado da Coreia do Sul, eliminada pela Bélgica na primeira fase do torneio, mas as boas vendas da série especial do hatch HB20 e do sedã HB20S alusiva ao Mundial. E a boa notícia não é privilégio da marca asiática – em geral, as edições limitadas, que se destacam pela ampla oferta de equipamentos, são um ótimo negócio tanto para a montadora quanto para o consumidor.
Segundo o consultor da ADK Automotive, Paulo Garbossa, as fabricantes costumam usar essa estratégia para impulsionar o volume de emplacamentos de alguns modelos. “Isso é chamado de ‘animação’ de produto.” O especialista diz que para quem compra a vantagem é pagar menos por um carro repleto de equipamentos.
Que o diga o analista de sistemas Agnaldo Bispo da Silva. Embora não seja fã de histórias em quadrinhos, ele é dono de um Bravo Wolverine (personagem dos X-Men), série especial lançada no fim do ano passado. “Gosto da Fiat e tinha um Linea. Na hora de trocar, pensei no Freemont, mas ele é grande, e no Bravo Absolute, que considerei muito caro ( a versão saía por cerca de R$ 64 mil).”
Na autorizada, o vendedor ofereceu a Silva a edição limitada, tabelada a R$ 58 mil. “Itens como sensor de estacionamento, acionamento automático dos faróis e limpadores de para-brisa, além do ar-condicionado e das rodas de liga leve de 17 polegadas me chamaram a atenção”, diz. Atendendo a seu pedido, os adesivos e as faixas que simulam “rasgos” feitos pelas garras do herói mutante que vinham na carroceria do modelo foram removidos.
Dono de um Fox Rock in Rio, o também analista de sistemas Carlos Fukuda é outro que optou por uma série especial por causa do preço atrativo. “Queria um Fox Prime, que custava R$ 49 mil e era o topo da linha. Comprei um carro por cerca de R$ 45 mil com todos os itens que me interessavam, além de mimos como conexão Bluetooth, volante de couro e rodas de liga de 15 polegadas.”
Natalino Jr., por sua vez, é colecionador de carros nacionais dos anos 70, 80 e 90 e tem, entre outras raridades, dois Gol Vintage. Os carros fazem parte da série limitada a 30 unidades feita pela Volkswagen para celebrar as três décadas do hatch. “Como são feitos em pequena quantidade, também são um bom investimento”, afirma.
Ele encomendou a edição especial logo que soube do lançamento. “É o máximo! Há uma guitarra igual ao carro, que tem no painel uma entrada para plugá-la”, diz Natalino que, a propósito, não sabe tocar o instrumento. “O Vintage é o Gol mais bonito que já vi” diz.
Grau de sucesso dita continuidade
As séries especiais em geral são posicionadas entre a versão de entrada e a de topo de linha do modelo. Entre os diferenciais mais comuns estão cor exclusiva, rodas de liga leve maiores (algumas vezes com pintura especial) e ampla lista de equipamentos, principalmente de conveniência e conforto.
Segundo o gerente de marketing de produto da Volkswagen do Brasil, Henrique Sampaio, como essas edições têm volumes limitados, é possível aplicar descontos maiores que a média para a linha regular. Ele afirma que, dependendo do grau de sucesso, uma série especial pode, inclusive, ser transformada em versão de série. “É o caso do Gol Rallye, da Parati Track Field e da Saveiro Surf, só pra citar alguns.”
A edição Copa do Mundo também serviu de laboratório para a Hyundai, segundo o gerente de produto da marca sul-coreana, Rodolfo Stopa. “Graças aos excelentes resultados das vendas e às pesquisas com consumidores que pudemos fazer com essa edição, ampliamos nossa compreensão sobre as preferências dos clientes em relação a acessórios, itens exclusivos e inovações.”
O sucesso foi tanto que equipamentos da série especial passaram a ser oferecidos regularmente na linha 2015 do HB20 (hatch e sedã). É o caso dos bancos revestidos de couro perfurado, acabamento diamantado para as rodas de liga leve e máscara negra nos faróis.
Nomes famosos
Uma prática comum é ligar o veículo a nomes famosos. No Brasil, a GM vendeu as edições Emerson Fittipaldi do Omega e do Monza, que também teve a série Clodovil nos anos 80, feita pela autorizada Itororó – o Citroën C3 Ocimar Versolato e o Fiat 500 Gucci são outros exemplos de apelo à moda.
A Lamborghini, por sua vez, homenageou o piloto de testes italiano Valentino Balboni com uma edição limitada do superesportivo Gallardo.
À direita, listamos algumas séries vendidas no País.
Revenda Fácil
Vantagem contínua
Na hora da revenda, as séries especiais não fazem feio nas lojas De acordo com o dono da A Fonte Veículos, multimarcas na zona leste, com o passar do tempo o tema da edição deixa de ser relevante. “Quando o (recém-lançado) Punto Itália chegar ao mercado de seminovos, será cotado como um Attractive, no qual se baseia, embora tenha itens a mais.” Ele afirma que várias unidades do Gol Rolling Stones já passaram pela loja e não demoraram a sair. “Também são fáceis de revender.”
Francisco Rodrigues, vendedor da Romero Automóveis, loja de usados que também fica na zona leste, concorda. “Esse tipo de carro é facilmente vendido porque tem equipamentos a mais, mas seu preço médio é equivalente ao modelo convencional, que vem bem mais ‘pelado’ de fábrica.
Segundo Garbossa, ao sair da loja todo carro novo tem depreciação média de 15%. Ele diz que com as séries especiais não é diferente. Para o especialista, o ideal é ficar com o veículo por dois anos até que seu valor se estabilize.
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