Jovem morto por leoa na Paraíba estava em liberdade após decisão judicial

Gerson ficou preso por tempo acima do permitido

Escrito por: Rubens Baracho3 min de leitura
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A morte de Gerson de Melo Machado, de 19 anos, atacado por uma leoa após invadir o recinto do animal no Parque Zoobotânico Arruda Câmara (Bica), em João Pessoa (PB), continua gerando forte repercussão e trazendo novos desdobramentos. Documentos judiciais revelam que o jovem estava em liberdade desde outubro deste ano, após decisão que revogou sua prisão preventiva por excesso de prazo. Considerado inimputável por diversos laudos médicos, Gerson acumulava histórico de transtornos mentais e diversas passagens pela polícia.

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Conhecido como “Vaqueirinho de Mangabeira”, Gerson havia sido preso cautelarmente em julho de 2025, denunciado pelo Ministério Público por furto qualificado. No entanto, a Justiça reconheceu que ele permaneceu 99 dias detido sem que a denúncia fosse recebida ou o pedido de revogação da prisão fosse analisado — ultrapassando o limite legal de 90 dias para revisão obrigatória da custódia, conforme estabelece o artigo 316 do Código de Processo Penal.

A decisão judicial destacou que a demora caracterizava ilegalidade, violando o princípio constitucional da razoável duração do processo. Além disso, o crime atribuído a ele não envolvia violência ou grave ameaça, reforçando a desnecessidade da manutenção da prisão preventiva.

O juízo responsável também levou em conta que Gerson era tecnicamente primário, tinha apenas 19 anos e que a eventual pena final seria menos severa do que o período já cumprido em detenção. Sem indícios de periculum libertatis — risco à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal —, a soltura foi determinada.

Apesar da liberação, a trajetória de Gerson seguia marcada por vulnerabilidades. Ele acumulava 16 passagens policiais, sendo 10 delas registradas quando ainda era menor de idade. Laudos e históricos de atendimento apontavam que o jovem enfrentava transtornos mentais desde cedo e chegou a ser encaminhado ao CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), de onde fugiu posteriormente.

A tragédia ocorreu no último domingo (30/11), quando Gerson escalou estruturas de proteção e entrou deliberadamente no recinto da leoa Leona, que reagiu de forma instintiva. Segundo laudo do Instituto de Medicina Legal (IML), o ataque ocorreu na região do pescoço, e não houve qualquer indício de consumo do corpo pelo animal.

O episódio reacendeu debates sobre segurança em zoológicos, responsabilidade individual, acompanhamento de pessoas com transtornos mentais e falhas no sistema penal e de saúde pública. A direção da Bica informou que reforçará as barreiras de proteção, incluindo a instalação de cercas elétricas.

As investigações seguem em andamento para detalhar completamente as circunstâncias que levaram o jovem ao local e avaliar medidas que possam evitar novas ocorrências semelhantes.

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