Linha tênue entre o amor e o ódio motiva crimes passionais

Nem sempre as histórias de amor têm final feliz. Nesta última semana, entre a manhã de sexta-feira (23) e a tarde do sábado (24), dois casos de crimes passionais chamaram a atenção na Região Metropolitana do Vale do Paraíba.

Escrito por: Elaine Rodrigues3 min de leitura
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Crimes passionais são segunda causa de homicídios na RMVale

Divulgação

Nem sempre as histórias de amor têm final feliz. Nesta última semana, entre a manhã de sexta-feira (23) e a tarde do sábado (24), dois casos de crimes passionais chamaram a atenção na Região Metropolitana do Vale do Paraíba.

Em São José dos Campos, uma mulher esfaqueou o marido durante uma briga e fugiu. O homem foi socorrido e conseguiu sobreviver. Já em Taubaté, a professora Simone dos Santos, 26 anos, morreu após ser baleada pelo ex-namorado, no estacionamento da creche onde trabalhava.

Segundo a especialista em psicologia clínica Adriana Leonidas de Oliveira, o crime passional não pode ser previsto, mas existem alguns traços em comum em quase todos os casos. “Não podemos falar em padrão, mas existem algumas características comuns, especialmente nos homens. São pessoas possessivas e controladoras, com um ciúmes exagerado, inseguros e com baixa autoestima. Quem comete o crime o faz porque entende o outro como seu objeto de posse, com o pensamento de se não é meu, não será de mais ninguém”, explica.

Apesar do crime ser chamado de passional, a especialista afirma que não é necessariamente a paixão que leva um indivíduo à matar. “Na verdade esse amor exagerado se transforma em ódio e é a raiva que motiva os crimes. É a raiva de quem não aceita a separação, de quem se sente rejeitado e abandonado. A pessoa perde a noção da realidade e acaba matando”, afirma Adriana.

Cuidados
Será que casos de crimes passionais, como o da professora Simone, realmente não podem ser evitados? Para a psicóloga Adriana, existe um caminho para a prevenção. “É preciso ser sempre atento aos sinais que muitas vezes são ignorados num relacionamento. Existem níveis para o ciúmes e quem invade os limites com frequência, é dominador ou sempre faz ameaças pode sim perder o controle e acabar tirando a vida do companheiro”.

Adriana indica que a melhor solução quando o ciúmes saí do controle e começa a interferir na rotina do casal é procurar ajuda. “Fale com a própria família, com instituições especializadas, com profissionais de psicologia e, se for o caso, com a polícia. O importante é não se calar”.

Na RMVale, levantamento feito pela Polícia Militar revelou que os crimes passionais são a segunda causa de homicídio na região, ficando atrás apenas do tráfico de drogas, apontado pelo comando da PM como a principal causa das mortes no vale do Paraíba.

Ubatuba é uma das cidades que registraram aumento no número de vítimas por crimes passionais. Nos últimos quatro meses, foram nove casos de homicídios dolosos (com intenção), quase o dobro dos casos do mesmo período em 2013, quando cinco pessoas foram mortas na cidade.

“A maioria desses crimes em Ubatuba teve motivação passional, o que complica a nossa produtividade porque não temos como evitar. Apesar das rondas nas ruas, de termos ganho novas viaturas e aumentarmos o efetivo, ainda acontece esse tipo de crime”, detalha a comandante do 20º BPMI, coronel Nilson Souza Silveira.

Por conta do aumento de casos na região, a Secretaria de Segurança Pública estuda um pedido dos comandos das polícias Civil e Militar na RMVale para que os dados relativos aos crimes passionais sejam contabilizados separados nos dados estatísticos.

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