Café Del Tiempo quer ser centro cultural em São José dos Campos
A entrada abarrotada do café denuncia o fim de um sarau. Poetas e escritores se cumprimentam e nomes como Jorge Luís Borges e Drummond podem ser ouvidos de orelhada enquanto passo pela pequena sala e chego ao balcão para conversar com os donos do Del Tiempo – na vitrola, uma versão de “New York, New York”.


Café é bar, galeria de arte, livraria e espaço para entusiastas da cultura
Reprodução/Facebook
A entrada abarrotada de gente denuncia o fim de um sarau no Café del Tiempo, em São José dos Campos. Poetas e escritores se cumprimentam e nomes como Jorge Luís Borges e Drummond podem ser ouvidos enquanto passo pela pequena sala e chego ao balcão para conversar com os donos do Del Tiempo – na vitrola, uma versão de “New York, New York”.
Inaugurado há cinco meses, o café fica na Vila Ema, região central de São José dos Campos, e se tornou uma opção para quem se interessa por cultura. Funciona de segunda-feira a sábado, de manhã, à tarde e à noite e seu evento semanal mais conhecido é o “Quintas de Vinil”, que convida os clientes a apresentarem os próprios discos para tocarem na vitrola do café.
“Nós queremos ser uma espécie de centro cultural, um espaço de encontro, para que você possa beber um café, ler um livro, escutar uma boa música e conhecer gente”, afirma Gabriel Kavlin, argentino de Salta (norte do país), tem 30 anos de idade e veste uma camiseta estampada com um elefante usando óculos Wayfare. Kavlin e sua esposa Roxana Moyano, paulistana, 40 anos, são responsáveis pelo café e donos de um sotaque espanhol acentuado.
“Vivemos na Bolívia por muito tempo, por isso o sotaque”, explica Roxana, enquanto conta a um cliente que as tradicionais empanadas argentinas vão entrar no cardápio em breve.
No pequeno café, referências à cultura pop são numerosas: estão dispostos molduras com imagens de Pulp Fiction, John Lennon e Yoko Ono, Muppets, David Hasselhoff, Sônia Braga, Oscar Niemeyer, entre outras. Vinis ficam à disposição e câmeras antigas e fitas K-7 decoram o ambiente meio pop art, meio vintage, ou como diz Roxana, “vamos do cult ao kitsch [brega]”.
Na entrada há cadeiras e poltronas para escutar os discos e uma estante que expõe livros à venda. Ao fundo tem uma galeria também pequena – a exposição da vez reúne fotografias que abordam a nudez da fotógrafa guaratinguetaense Luiza Prado.
Toda a carga de cultura pop não existe sem razão. Kavlin é publicitário e dono da produtora cultural Plan B e Roxana é fotógrafa, trabalha com edição de livros e faz parte do conselho editorial da revista latina de fotografia “Sueño de La Razón”.
Depois de três clientes os chamarem pelos respectivos nomes, Roxana diz: “por isso o café tem quase um ambiente familiar”.
Cardápio e Mutantes
No Café del Tiempo, o café expresso e o croissant custam R$ 3,50. A cerveja long neck sai por R$ 4,50 e o prato mais caro é a tapa (porção) de batatas que custa R$ 20.
Ainda no balcão, um cliente paga a conta e fala que vai voltar em breve. Kavlin admite que não lembra seu nome, para o divertimento de Roxana. “Mas eu lembro que ele trouxe o disco dos Mutantes semana passada, para mim já está valendo”, diz o argentino.
CAFÉ DEL TIEMPO
Quando: de segunda a sábado, das 10h às 22h
Onde: rua Serimbura, 332, Villa Ema, São José dos Campos
Mais informações: (12) 3322-3892
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