Espetáculo “Nu.Cio” em S. José faz da dança sugestão ao erotismo

“Não há pudor em fantasiar”, diz André Bizerra, coreógrafo do espetáculo de dança “Nu.Cio”. Roçar de pele, aberturas de pernas, língua, pulos, rolamento no chão, compressão e relaxamento.

Escrito por: Renan Simão2 min de leitura
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Cia. Biz de Dança retrata fantasias de mulher oriental reprimida sexualmente

Reprodução/Youtube

Roçar de pele, aberturas de pernas, língua, pulos, rolamentos, compressão e relaxamento. “Não há pudor em fantasiar”, diz André Bizerra, coreógrafo do espetáculo de dança “Nu.Cio”.

A montagem da Cia. Biz de Dança, que acontece neste sábado (25), às 20h, no Sesc São José dos Campos, é assumidamente erótica. Por meio da dança contemporânea, os dançarinos retratam caminhos para o prazer sexual.

“O processo de pesquisa da coreografia foi investigar todas as possibilidades de movimento que sugerissem relações sexuais. A partir das estruturas criadas por mim, os bailarinos apropriavam-se e desconstruíam a partir das sensações que emergiam neles. Precisa existir um significado para cada intérprete expressar aquilo que se propõe”, aponta Bizerra.

Para chegar às estruturas de insinuações e flertes sobre o palco, o espetáculo segue um fio narrativo. Em certos momentos e no início de “Nu.Cio” há a presença de uma mulher oriental reprimida sexualmente. Seu papel é contraponto e representação dos movimentos dos bailarinos. Essa mulher, aparentemente vazia de libido, também é acometida por delírios sexuais.

“Essa mulher não existe somente no Japão. Ela existe em muitos outros países, inclusive no Brasil. A figura da mulher oriental representa todas aquelas mulheres que são reprimidas sexualmente”, diz o coreógrafo, que também dirige o espetáculo da companhia de São Caetano do Sul.

A dois, a três
A inspiração por esta personagem nasceu quando Bizerra morou no Japão, entre 2007 e 2008. Por lá viu “uma grande dualidade entre uma educação patriarcal, disciplinada e talvez reprimida” das mulheres orientais. O homens japoneses, por sua vez, tinham um desejo sexual exacerbado.

“Uma matéria de uma revista local para imigrantes brasileiros trouxe-me uma questão intrigante, pois falava que muitas mulheres japonesas casadas há muito tempo não teriam tido qualquer relação sexual com o próprio marido. Eram vistas como ‘mães’ desses homens, tendo a função de cuidar deles”, conta.

Bizerra usa o termo “elegante” para sugerir a forma dos movimentos de desejos sexuais realizados, quais sejam heterossexuais, homossexuais ou bissexuais. “Sendo a dois, a três, ou sozinhos, na fantasia tudo pode”, afirma.

“NU.CIO”
Quando: sábado (25), às 20h
Onde: Sesc São José dos Campos – avenida Adhemar de Barros, 999, Jardim São Dimas 
Quanto: de R$ 2 a R$ 10
Mais informações: (12) 3904-2000

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