Vice do Botafogo analisa crise financeira e vê clube como ‘paciente grave em UTI’
O Botafogo afastou a sua má fase dentro de campo ao vencer o Atlético-MG por 2 a 1, no último domingo, no Rio, pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro. Porém, está bem longe hoje de conseguir aliviar a sua crise financeira, cujo quadro preocupante acabou sendo escancarado pelo vice-presidente executivo botafoguense, Luis Fernando Santos. Ao…

O Botafogo afastou a sua má fase dentro de campo ao vencer o Atlético-MG por 2 a 1, no último domingo, no Rio, pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro. Porém, está bem longe hoje de conseguir aliviar a sua crise financeira, cujo quadro preocupante acabou sendo escancarado pelo vice-presidente executivo botafoguense, Luis Fernando Santos. Ao analisar a situação do clube, ele a comparou a um “paciente em estado grave internado numa UTI”.
O dirigente fez essa afirmação em entrevista à Rádio Globo, na qual citou várias cifras ao prever dificuldades para o Botafogo quitar as suas dívidas e se equilibrar financeiramente. “A situação do Botafogo é conhecida há muito tempo. E nós sabíamos que 2017 talvez fosse o último ano que nós pudéssemos ter uma solução financeira que não fosse através da venda de jogadores. Hoje 48% das receitas são para pagar dívidas. Isso ficou muito claro no início do ano passado e, principalmente, esse ano, quando o nosso orçamento, olhando tudo que temos para pagar, ele ficava R$ 60 ou 70 milhões abaixo das receitas possíveis”, alertou.
A situação complicada vivida pelo Botafogo ficou evidente na semana passada, quando os jogadores Joel Carli, João Paulo e Gabriel expressaram o descontentamento com os constantes atrasos no pagamento dos funcionários do clube e fizeram uma cobrança pública à diretoria fora da sala de imprensa do estádio Engenhão. Para completar, os atletas estão com dois meses de salários atrasados.
E Luis Fernando Santos também apontou um valor estimado que o Botafogo teria de angariar até o final deste ano para sair desta sua grave crise em que se encontra. “Precisamos conseguir até o final do ano, considerando as nossas receitas e outros empréstimos, alguma coisa em torno de mais R$ 50 milhões. É muito dinheiro. É uma situação extremamente dura e dramática. O Botafogo está em uma situação muito ruim e com muita dificuldade de superar isso. O Botafogo é um paciente em estado grave internado numa UTI”, ressaltou.
Já ao comentar sobre o que o Botafogo precisaria hoje para quitar suas dívidas e ganhar fôlego para dar continuidade ao seu ano de forma mais tranquila, o executivo apontou: “É que alguém de alguma forma, seja com venda de jogador ou algum empréstimo, fizesse que nós obtivéssemos alguma coisa imediata em torno de R$ 15 milhões”.
ESPERANÇA EM PROJETO – No final de julho, o clube e o torcedor botafoguense ganhou uma nova esperança de viver dias melhores quando uma proposta confeccionada por executivos da consultoria Ernst & Young, a pedido dos irmãos Moreira Salles, foi apresentada para a diretoria do clube, incluindo o presidente Nelson Mufarrej, que gostaram do projeto.
Naquela ocasião, os irmãos Moreira Salles, em comunicado enviado à imprensa, explicaram que o estudo indica possíveis soluções para a crise financeira do Botafogo a partir da mudança do modelo administrativo do departamento de futebol. Porém, este projeto ainda precisa sair do papel e deve demorar um pouco para ser colocado em prática, caso realmente ocorra, conforme o próprio Luis Fernando Santos apontou.
“O processo foi iniciado, da nossa parte, em agosto. Recebemos projeto conceitual, mas precisa ser colocado de pé. Ninguém bota dinheiro se não souber o que é, possível retorno, os riscos. Temos prazo curto, porque só pode ocorrer entre o fim do Campeonato Brasileiro e a primeira competição de 2020. Não pode fazer essa mudança com campeonatos em aberto. Temos de 15 de dezembro a 15 de janeiro. Temos que estar prontos no fim deste ano”, afirmou o dirigente à Rádio Globo.
“A expectativa é que até o dia 10 de outubro tenhamos o projeto de pé e já analisado por banco de investimentos, com análise de riscos para o investidor ver a conveniência. Depois disso, se o banco disser que projeto é sustentável, parte-se para a obtenção de dinheiro para capitalizar o projeto”, reforçou.
Enquanto o clube tenta encontrar soluções para pagar as suas altas contas, o time começa a projetar a partida diante do Ceará, neste sábado, às 21 horas, em Fortaleza, pela rodada final do primeiro turno do Brasileirão. A equipe ocupa hoje a décima posição da tabela, com 26 pontos.
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