Daniel Ortega anuncia fim das eleições na Nicarágua

Presidente afirmou que não haverá novas disputas eleitorais para impedir o retorno da oposição ao poder; declaração reforça críticas de autoritarismo ao regime

Escrito por: Rubens Baracho2 min de leitura
Leonardo Fernandez Vilória/Reuters
Leonardo Fernandez Vilória/Reuters

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou que o país não realizará mais eleições, em uma declaração que representa um novo endurecimento do regime e amplia as críticas internacionais sobre a concentração de poder no governo.

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O anúncio foi feito durante um discurso em Manágua, nas comemorações do aniversário da Revolução Sandinista. Ortega declarou que “não haverá mais eleições” para impedir que partidos de oposição voltem ao poder, alegando que essas siglas seriam apoiadas pelos Estados Unidos. 

No poder desde 2007, após também governar o país na década de 1980, Ortega afirmou que pretende trabalhar com a Assembleia Nacional, controlada por aliados, para aprovar leis que impeçam o retorno da oposição. O presidente, no entanto, não detalhou como a medida será implementada. 

A declaração ocorre após uma série de reformas constitucionais aprovadas em 2025, que ampliaram o mandato presidencial de cinco para seis anos e consolidaram ainda mais o poder do Executivo. As mudanças também oficializaram a esposa de Ortega, Rosario Murillo, como copresidente da Nicarágua. 

Organizações de direitos humanos e opositores afirmam que o governo nicaraguense vem restringindo liberdades civis, perseguindo adversários políticos e eliminando espaços de oposição desde os protestos de 2018. Críticos avaliam que a declaração de Ortega representa o fim da possibilidade de alternância democrática no país. 

Pelas regras atuais, as próximas eleições presidenciais estavam previstas para 2027. Com a declaração, aumenta a incerteza sobre o futuro do processo político na Nicarágua e a expectativa por novas reações da comunidade internacional. 

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