O Dia do Solteiro e o banho do time das mulheres
Para os desavisados, esta sexta-feira (15) de agosto é Dia do Solteiro. “Dia do solteiro é toda quinta, sexta e sábado”, diria, de escárnio, um rapaz descomprometido sentado à mesa no bar O Funil, na noite de quinta-feira (14), em São José dos Campos.


Bar faz noite do solteiro com adesivos para identificar descomprometidos
Flávio Pereira/Meon
Para os desavisados, esta sexta-feira, 15 de agosto, é Dia do Solteiro. “Na verdade a data é celebrada toda quinta, sexta e sábado”, diria, de escárnio, um rapaz descomprometido sentado à mesa no bar O Funil, na noite de quinta-feira (14), em São José dos Campos.
A noite era daqueles homens e mulheres que esperam o inesperado de uma noite de quinta. Para a ocasião, o bar deu para os clientes adesivos verdes (para solteiros), amarelos (enrolados) e vermelhos (comprometidos). A ideia é simples: identificar as intenções de moças e rapazes quanto a relacionamentos ou à mera paquera.
O que se viu foi um banho do time das mulheres frente ao dos homens. As solteiras ostentavam suas marcações verdes, sem pudor, felizmente. Do outro lado, não havia homens com quaisquer adesivos, nem solteiros, nem casados. Pareciam desinteressados em exercitar algum tipo de flerte -o que corrobora com a teoria de uma mesa de duas moças, de que “está difícil arranjar homem hoje em dia”.
“Acho que isso, dos adesivos, é uma boa oportunidade de conhecer gente. Só ajuda. É uma maneira de não perder tempo e já saber o que o cara quer”, diz Mara Cristina Mora, 45 anos, está solteira há cinco “e muito bem com isso”.
Acompanhada por uma amiga também solteira que não quis se identificar, a secretária conta que já cortejou um homem que pareceu dar interesse à sua investida, mas, ao virar de costas, beijou outro homem.
Ao som de DVDs do Rush e do Metallica, o cenário era de grupos acanhados com seus adesivos, sem muita interação entre as tradicionais mesas. O único casal que tinha adesivos era um que não precisava dizer nada sobre suas intenções. A garrafa de vinho e as mãos nas coxas dos parceiros denunciavam que o “solteiro” que tinham no peito era só pela brincadeira.
Tinder da vida real
Duas moças bebiam cerveja tranquilamente e não largavam os seus smartphones. Estavam “solteiras” de acordo com os adesivos, mas não era bem assim. “A gente está solteira, mas sempre tem alguém né, nunca ninguém fica totalmente sozinho”, fala Carol, 33, que, como a maioria dos solteiros estranhamente envergonhados, pediu para usar nome fictício.
“Esse é o Tinder da vida real”, define Carol, sobre a noite dos solteiros e o aplicativo de encontros amorosos. “A diferença é que no Tinder a foto pode enganar, pessoalmente você tem toda uma presença, a aparência, o perfume, tem muitas coisas”.
Bruna, sua amiga de 29 anos que também não quis se identificar com o nome verdadeiro, concorda com a teoria e afirma decepcionada que já marcou um encontro pelo Tinder em que o rapaz “parecia um modelo, mas na hora era vesguinho”.
Ambas estariam na idade em que muitas mulheres já decidem casar ou ter filhos. Carol já namorou por três anos, iria pular o noivado e casar direto, mas, felizmente segundo ela, “pulou fora dessa”.
“A pressão do relógio da maternidade bate em certa idade, claro, mas nesse momento eu não preciso disso. Casar e ter filhos são só um ‘protocolo de felicidade’ que as pessoas colocam, mas ele não precisa existir para a gente ser feliz”.
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