Qual a receita para o sucesso nas cobranças de pênaltis?

Dos 12 jogos das fases de mata-mata que vimos até agora na Copa do Mundo da Fifa Brasil 2014, três se resolveram na prorrogação e outros três nos pênaltis. Inevitavelmente, todas as equipes têm de treinar para esse momento da decisão da marca da cal. Mas cada batedor, cada goleiro e cada técnico tem o seu estilo. Qual seria a receita para o sucesso?

Escrito por: Fifa4 min de leitura
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Holanda venceu a Costa Rica nos pênaltis para chegar à semifinal

Getty Images/Fifa.com/Divulgação

Dos 12 jogos das fases de mata-mata que vimos até agora na Copa do Mundo da Fifa Brasil 2014, três se resolveram na prorrogação e outros três nos pênaltis. Inevitavelmente, todas as equipes têm de treinar para esse momento da decisão da marca da cal. Mas cada batedor, cada goleiro e cada técnico tem o seu estilo. Qual seria a receita para o sucesso?

Temperamento
“O nosso índice de acerto deve-se aos nossos nervos de aço”, explica o treinador de goleiros da Alemanha, Andreas Köpke. “Vamos à marca da cal e sabemos que temos uma boa ocasião de ganhar o jogo. A seleção alemã tem essa confiança. Os nossos batedores são fortes mentalmente. Além disso, temos o retrospecto e um bom goleiro”, diz.

“Já não precisamos de anotações como em 2006 nem ferramentas especiais, apesar de que seria bom implantar um chip na cabeça”, brinca Köpke. “Antes do jogo, ou no decorrer dele, eu me encarrego de analisar os batedores da equipe adversária, mas no final costumo confiar no meu instinto”, explica o goleiro titular da Alemanha na França 1998, e atual conselheiro de Manuel Neuer.

Análise
O instinto é importante, mas também é necessário um grande trabalho de análise. Aí é fundamental não só o esforço dos preparadores de goleiros, mas também o apoio de toda a equipe para detectar tendências dos batedores rivais, muitas vezes parceiros de clube de outros jogadores da seleção. “No dia anterior estudamos bastante os batedores chilenos, algumas situações do Pinilla, que costuma bater no meio”, assinalou ao Fifa o goleiro brasileiro Victor depois da vitória sobre o Chile nas oitavas.

Victor pode ser considerado experiente, pois triunfou em duas disputas de penalidades consecutivas na campanha do Atlético Mineiro rumo ao título da Copa Libertadores 2013. O estudo rendeu os seus frutos e Júlio César adivinhou as intenções de Pinilla e Alexis Sánchez. Depois ele contou com a sorte para que a trave finalizasse o trabalho. Talvez tenha ajudado também o amuleto que Victor já tinha utilizado com o seu clube na mesma meta e que entregou ao seu colega. “Os pênaltis são uma situação muito desgastante tanto para quem bate quanto para o goleiro”, diz o arqueiro do Galo.

Outros truques
Em todo o processo, a guerra psicológica também pode ajudar. O melhor exemplo vimos no jogo das quartas entre Costa Rica e Holanda. A estratégia de Louis van Gaal foi, no mínimo, inusitada. No último minuto da prorrogação, o técnico trocou o goleiro titular Jasper Cillessen por Tim Krul. “Explicamos ao Krul que ele seria o melhor goleiro para a disputa de pênaltis, já que tem mais corpo, mas não dissemos ao Cillessen (goleiro titular) porque não queríamos dificultar a sua preparação nem a sua concentração”, observou o treinador.

O curioso do caso é que a estatística de Krul nas penalidades não é nada espetacular. Ainda assim, a mudança teve grande efeito. Afinal de contas, que treinador guardaria uma alteração para esse momento se não fosse porque o arqueiro é um autêntico especialista?

Krul acrescentou algo extra ao roteiro. “Disse aos jogadores que eu sabia onde iriam bater para que ficassem um pouco nervosos”, confirmou. Talvez tenha funcionado no caso do último batedor da Costa Rica, Michael Umaña. Herói da decisão por pênaltis que os costa-riquenhos haviam superado nas oitavas contra a Grécia, o jogador teve sua cobrança defendida contra a Holanda.

“É uma decisão que já tinha tomado, e não mudei”, comentou o zagueiro depois do jogo contra os gregos. “Era o lado que tinha na cabeça. Às vezes, hesitar e mudar no último momento é perigoso. Até pode acertar, mas é mais provável que erre”.

Após as palavras de Krul, Umaña talvez tenha hesitado. Depois de acertar o pênalti contra os gregos com um disparo a média altura no canto esquerdo, ele optou por um tiro raso no canto direito, o qual Krul desviou para colocar a Holanda nas semifinais.

Confiança
Há métodos destrutivos e há métodos construtivos. Destes se encarregam os companheiros de equipe, com abraços, aplausos, e gritos de apoio ao arqueiro, ainda que pouco importem as palavras escolhidas nesses momentos, como explicou Daniel Alves ao Fifa.com depois das oitavas. “O importante não foi o que eu disse. Para falar a verdade, nem sei o que disse e aposto que boa parte da equipe também não. Não se tratava de palavras, mas de que ele soubesse que confiávamos nele”, diz ao explicar sua conversa com o arqueiro Julio Cesar durante cobranças de pênaltis contra o Chile.

Tudo é importante. Trabalho, nervos de aço, autoconfiança, confundir o adversário e, sejamos justos, uma dose de sorte. Porque, apesar de tudo, às vezes o inesperado pode acontecer. Que o diga a Costa Rica.

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