Embraer: crise da Covid-19 e quebra de contrato pela Boeing causará ‘reestruturação’ no setor
Profissionais ligados ao setor dizem que demissões são certas de acontecer


Empresas que trabalham direta ou indiretamente para a Embraer deverão passar por uma reestruturação no quadro de funcionários nos próximos meses. A crise causada pela pandemia do coronavírus ao setor e a ruptura do acordo entre Boeing e a brasileira já tem gerado reflexo em fábricas da região.
Em todo o País, a Embraer empresa 16 mil pessoas. Segundo estimativa do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, cerca de 4.000 colaboradores fazem parte da cadeia produtiva na RMVale e 12 mil são trabalhadores diretos. O reflexo da crise do coronavírus já teria causado a demissão de 300 funcionários na cidade, conforme informa o sindicato.
A previsão é de que os próximos meses sejam ainda mais de incerteza e possivelmente de desligamentos. Segundo Eduardo Piloto, diretor da Assecre (Associação dos Empresários das Chácaras Reunidas), de São José, pelo menos 60 fábricas fornecem peças diretamente à Embraer e empregam até 1.000 pessoas.
De acordo com Piloto, a vinda da Covid-19 e a incerteza entorno da montadora de aeronaves já está mexendo no bolso do empregador. “Parar com as fábricas só tem um final, mandar o funcionário embora. Qual a dificuldade para as empresas? É manter o caixa! O quanto Embraer vai comprar de peças?”, questionou. “Quase certo que haja uma reestruturação nas empresas e acredito que o setor vai ter uma queda de produção. Mas, por outro lado, a Embraer é grande, bem consolidada no mercado e pode sair bem dessa”, completou.
A segregação interna na Embraer, que aconteceu no fim do ano passado e que separou os setores de aviação comercial e aviação executiva e novos negócios, já havia provocado uma estagnada no setor. A expectativa era de que no início deste ano, houvesse uma retomada.
“Haverá uma restruturação, hoje temos dois quadros [crise coronavírus e futuro da Embraer]. Com certeza teremos redução de funcionários por contra dessa situação entre as duas empresas. As fábricas estão sem caixa e a retomada terá que ser adiada mais um pouco”, disse Marcelo Nunes, coordenador do Cluster Aeroespacial Brasileiro, que também defende uma Embraer “fortalecida” após essa crise.
A Embraer, por outro lado, aposta em sua recuperação com maior exposição ao mercado de jatos regionais nos Estados Unidos e a expectativa de pronta retomada depois de ajuda do governo norte-americano às companhias aéreas. Ao Estadão, a fabricante brasileira disse que as companhias aéreas dos EUA estão mais avançadas em seu pacote de resgate do governo Donald Trump, o que facilitará o reinício das operações.
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