O trabalho social e comunitário na Universidade do Vale do Paraíba

O trabalho social/comunitário na Universidade

Escrito por: Meon Redação3 min de leitura
fundo_placeholder-023136

Como instituição de ensino, as universidades tiveram sua primeira configuração na Idade Média (Europa), onde o conhecimento era privilégio de poucos e se buscava entender/conhecer inicialmente as “essências universais” (studium generale) evoluindo para o contexto de universidade propriamente dita. Em ambas as formas, o processo de formação era totalmente desvinculado da realidade e necessidades local. Por ser orientada pela Igreja Católica, sua conformação sofreu influência direta da Reforma Luterana (século XIII), tendo atingido por volta de 1500 a configuração Humanista, onde os estudantes buscavam alcançar uma espiritualidade sábia e eloquente. Com o passar do tempo, em 1918, considerando os avanços tecnológicos e a necessidade de conhecimento para os processos de industrialização (em especial nos Estados Unidos) as universidades passam então a “produzir” conhecimento em série para satisfazer as necessidades de desenvolvimento econômico, deixando mais uma vez a margem do processo, a sua vinculação com as necessidades sociais.

No Brasil, a história das Universidades, considerando-se as décadas de 1950/1960, se estabelece como um sistema educacional importado do modelo norte americano, em especial quanto a industrialização, reflete o modelo conteudista, novamente sem vínculo com as necessidades da sociedade e fortemente atrelado ao desenvolvimento econômico.

No sentido de reorientar esta tendência e regulamentar o ensino (público e privado), a Lei das Diretrizes e Bases da Educação (LDB 9493/96), no seu Art. 43, inciso VI, estabelece que a educação superior deve estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, …, prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade. As universidades, segundo a mesma lei (Art. 52), são instituições pluridisciplinares de formação dos quadros profissionais de nível superior (ensino), de pesquisa, de extensão e de domínio e cultivo do saber humano…”

Uma Universidade de Verdade deve atender os princípios estabelecidos na lei onde o conhecimento evolui com o desenvolvimento da pesquisa, permitindo que o conhecimento transmitido aos alunos (ensino) seja sempre atualizado e que, reconhecendo o território onde se encontra inserida, possa levar para a comunidade (extensão) tudo aquilo que é produzido em laboratório e em sala de aula. Vale ressaltar que a extensão proposta não deve ter caráter assistencialista muito menos de repositório de informação: ela faz parte da formação do estudante, permitindo que o mesmo seja um cidadão completo, por meio das relações de reciprocidade.

https://www.youtube.com/watch?v=mPbidQjiUdE

Assim, para mudar conceito de produção do conhecimento em larga escala ou “fábrica de informação” torna-se necessário reconhecer na comunidade em que se encontra inserida, as origens da concepção, bem como as estratégias para a elaboração do produto para o qual se planejou para atuar. A troca de saberes com a comunidade permite romper a lógica do assistencialismo e da tutela tecnológica/cultural.

Quando se fala de desenvolvimento de próteses (odontológicas, faciais e de seios), uma Universidade de Verdade permite aos seus alunos o aprendizado das diferentes técnicas, mas, mais do que isso, permite identificar a importância social de seu trabalho pela alegria e o retorno da autoestima do paciente.

Quando se fala de inclusão social (terceira idade, diversidade entre outros), uma Universidade de Verdade se dedica a discutir conceitos, aspectos sociais e legais permitindo que seus alunos possam, junto à comunidade local/regional, atuar de maneira formativa e inclusiva.

Em uma Universidade de Verdade, o desenvolvimento de equipamentos (hand bikes, próteses de membros superiores), o reaproveitamento de resíduos (orgânicos, areia de fundição, gesso), a conservação da biodiversidade (reabilitação da fauna silvestre e recuperação de áreas degradadas), a iniciação cientifica e à docência, de estudos que norteiam políticas públicas, devem estar em consonância com os anseios da sociedade promovendo assim, o desenvolvimento científico, social e tecnológico.

Publicado em: