Prevenção do câncer: um tratamento para o corpo e a mente
Iniciativas públicas e privadas se unem para diminuir os índices da doença


A descoberta precoce possibilita que o tratamento seja menos degradante
Divulgação
Apesar de ser uma doença curável, o câncer de mama é o tumor maligno mais comum em mulheres e o que mais leva as brasileiras ao óbito. Em 2016, de acordo com o INCA (Instituto Nacional do Câncer), são esperados mais de 15 mil novos casos no Estado de São Paulo e mais de 57 mil em todo o Brasil.
Mas além do medo da morte, a perda de cabelo, dos cílios e, em alguns casos, da mama, envolve a vaidade e autoestima da mulher. Mas é possível evitar que a doença se torne um monstro de sete cabeças. A descoberta precoce possibilita que o tratamento do câncer seja menos degradante. Entretanto, pesquisas indicam que no Brasil 44% dos casos são detectados no estágio avançado, o que dificulta o tratamento e diminui as chances de cura.
Segundo o último relatório do INCA com dados das 39 cidades da RMVale, o câncer de mama fez 158 vítimas fatais em 2012. Em 2014 foram registrados no estado de São Paulo 3845 mortes. Por isso, tanto o SUS (Sistema Único de Saúde) quanto as iniciativas da sociedade civil, tem batido na mesma tecla: a prevenção.
Atualmente, a ferramenta mais eficiente na descoberta da doença é a mamografia, que pode detectar tumores menores que um centímetro – neste tamanho as chances de cura do câncer de mama chegam a até 95%. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, em 2013 foram mais de 1,2 milhão de exames na RMVale.

A mamografia pode ser feita antes dos 50
Pedro Ivo Prates/Meon
A recomendação do Ministério da Saúde é que a mamografia seja feita por mulheres entre 50 e 69 anos, a cada dois anos. Mas a Dra. Alessandra Lorenti, ginecologista da Secretaria de Saúde de São José dos Campos, alerta que quem tem tendência genética ao câncer deve começar a rastrear mais cedo. “A mamografia consegue identificar lesões pré-câncer, como calcificações ou células com alterações sugestivas”, relata. Hoje o SUS oferece o tratamento completo da doença, cirurgias exames e acompanhamento médico.

A detecção precoce é essencial
Luis Lima Jr.
Para voluntárias da Casa Gesto, em São José dos Campos, esse cuidado especial com a saúde da mulher deve começar a partir de sua primeira menstruação, ou mesmo com o início das relações sexuais. “Começou a vida sexual, tem que começar a acompanhar, pelo menos com o ultrassom. Isso não tem nenhuma literatura médica, mas é algo que a gente sabe pela vivência”, diz Elaine Narciso, assistente social do projeto.
A Gesto atende hoje aproximadamente 120 pessoas por mês, das cidades da RMVale, Serra da Mantiqueira e Litoral Norte, 95% são mulheres com câncer de mama.
A Diretora do Departamento Regional de Saúde de Taubaté, Maristela de Paula Santos, ressalta a importância de iniciativas que partem de instituições fora do sistema de saúde, seja ele público ou privado. “A participação da sociedade civil vem trazendo um complemento e a conscientização sobre o sistema de prevenção. É importante a questão da detecção precoce para a gente aumentar o que efetivamente nos importa, que é o índice de cura dos pacientes”, afirma.
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