O Que a luz revela

Olhar para a própria escuridão pode doer

Escrito por: Pricila de Fátima Alves1 min de leitura
Pricila Alves
Pricila Alves

Há uma parte de nós que preferimos não olhar

Aquela que escondemos até de nós mesmos, porque reconhecê-la exige coragem. Jung nos fala sobre a sombra: aquilo que permanece na escuridão da nossa consciência, nem sempre porque é ruim, mas porque ainda não conseguimos olhar para isso.

Na psicanálise, gosto de pensar o processo de análise como estar diante de um espelho. Não um espelho que devolve a imagem que gostaríamos de ver, mas aquele que, pouco a pouco, revela a nossa face real.

E nem sempre é confortável.

Olhar para a própria escuridão pode doer. É mais fácil permanecer no superficial, ocupar-se, seguir adiante sem perguntar o que determinado sentimento está tentando nos dizer.

Mas iluminar a escuridão não significa eliminá-la.

Significa sentar-se diante dela. Escutar. Reconhecer. Dar nome ao que sentimos. Compreender nossas escolhas, nossos medos, nossas repetições.

Talvez amadurecer seja justamente isso: deixar de fugir de nós mesmos.

Porque aquilo que iluminamos deixa de nos atravessar no escuro.

E, quando conseguimos olhar para a nossa própria sombra sem medo, talvez descubramos que ela também guarda partes de nós que estavam esperando para ser integradas.

Às vezes, o salto mais importante não é para longe.

É para dentro.

Pricila de Fátima Alves
Pricila de Fátima Alves

Além do Salto

Pricila de Fátima Alves é psicanalista, educadora e especialista em desenvolvimento humano. Atua na formação de profissionais da educação e no desenvolvimento de metodologias voltadas à aprendizagem, cognição e desenvolvimento integral. Atualmente, coordena projetos pedagógicos na área de Neuroeduca…

Os artigos publicados nesta seção são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Meon, da Revista Metrópole Magazine ou do Grupo Meon de Comunicação.

Posts Relacionados