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Como foi para um idoso se adaptar à pandemia?

Saiba como uma pessoa de idade avançada enfrenta as dificuldades da quarentena

ELOISA VITORIA (Arquivo Pessoal)

Escrito por Eloisa Vitória de Oliveira

22 JUN 2021 - 16H00

Foto: Reprodução/Eloisa Vitória entrevista idoso capa (Foto: Reprodução/Eloisa Vitória )

É de conhecimento geral que a pandemia do Covid-19 ocasionou muitas mudanças no mundo, o que tornou necessário que as pessoas aprendessem a se adaptar, a se cuidar e a esperar com paciência tudo ficar bem. Por conta desse vírus, em março de 2020 uma quarentena mundial foi colocada em prática e os cuidados com a nossa saúde aumentaram absurdamente.

Embora a doença ataque a todos, nós sabemos que os idosos foram um dos principais alvos da mortalidade dessa doença e, portanto, um dos grupos que necessitam de maior vigilância e cuidado. Por esse motivo, entrevistei um idoso, o senhor João Sá, para conhecer mais sobre a sua vida durante a quarentena, para entender sobre as dificuldades e medos que ele enfrentou por causa da pandemia. Leia abaixo a entrevista completa.

Entrevistadora: Oi, senhor João! Para começar, você pode me falar algumas informações básicas sobre você, como uma apresentação inicial?

João Sá: Meu nome é João Duarte Sá, tenho 67 anos e moro aqui em Jacareí (SP) há bastante tempo. Atualmente eu sou funcionário público, trabalho na prefeitura municipal de Jacareí.

Entrevistadora: Como foi para você, em março do ano passado, o começo da pandemia? Você ficou com medo de pegar o Covid?

João Sá: Com certeza! Olha, aquele período foi… Eu diria traumático. Nós passamos por momentos difíceis, em que os meios de comunicação traziam informações alarmantes que faziam a gente realmente ficar com medo de sair, até mesmo de colocar o rosto pra fora do portão e olhar para a rua. Deu muito medo mesmo, foi terrível.

Entrevistadora: E como foi a sua adaptação inicial? Você já saiu comprando máscaras e álcool em gel ou ficou mais tranquilo?

João Sá: Eu não fiquei tranquilo, a minha primeira atitude foi exatamente essa: nos preservar de modo que a gente evitasse o máximo possível contato e até mesmo o contágio com o coronavírus. Então, uma das minhas primeiras alternativas foi comprar álcool em gel e máscaras, e os usar toda vez que saíamos.

"Quando vamos em algum lugar, sempre utilizamos esses recursos que nos foram disponibilizados, para evitar não somente o contágio, como também o contato direto com esse vírus e acabar o trazendo nas vestes e nos calçados." 

"Portanto, uma das primeiras alternativas que tomamos foi nos preservar em todos os sentidos. E, por isso, passamos a ter alguns hábitos que nós não tínhamos antes, como sempre estar lavando as mãos e nos higienizando, que foram uma das maiores recomendações dos profissionais de saúde até o presente momento."

Entrevistadora: Você ainda trabalhava quando a quarentena começou? Se sim, como funcionou a questão do distanciamento social com o seu serviço? Você teve que parar de ir ou ia mas com os cuidados necessários?

João Sá: Então, o prefeito da cidade de Jacareí fez um decreto que afirmava que quem tivesse idade acima de 60 anos, poderia ficar em casa à disposição. Eu tive a oportunidade de ficar em casa, me preservando desse risco e do contato social, e passei a fazer algumas atividades online para atender às necessidades e demandas do meu trabalho.

"O isolamento social é muito importante nesse momento, primeiro por causa do impacto que traz na rede pública de saúde, nos hospitais, exatamente pelo grande volume de casos de coronavírus. Portanto, o isolamento nesse aspecto foi muito importante para preservar não somente a saúde, mas como evitar um colapso na área da saúde."

Entrevistadora: Para você, foi difícil, psicologicamente falando, se adaptar ao isolamento social? Você teve algum problema como ataque de ansiedade ou de pânico? O que te ajudou a superar isso?

João Sá: O medo ele sempre existiu e sempre existirá, porque por mais que a gente esteja se cuidando, ainda temos um medo muito forte do contágio, não somente por causa de nós mesmos, mas por causa dos nossos familiares. Por isso, a gente tem que estar sempre alerta e atento quanto a tudo o que fazemos, por exemplo sobre as nossas saídas: a gente precisa sair de casa apenas em casos importantes e necessários, como ir ao supermercado ou ir à farmácia. É necessário evitar ao máximo possível o contato, pois o isolamento é extremamente importante para a nossa preservação contra esse vírus.

Entrevistadora: O que te ajudou a superar esse momento e a conviver com isso?

João Sá: Então, eu já tinha o hábito de ficar em casa, eu sou muito caseiro, e por isso eu não estranhei o fato de ter que ficar em casa 24 horas por dia. Para mim é muito gostoso ficar em casa, a nossa casa é o nosso refúgio, não é? Nós temos que fazer da nossa casa um lugar de paz e tranquilidade, por mais que o mundo esteja dessa forma, com muitas tragédias, perdas e tristezas, temos que ficar em casa e com saúde, isso é extremamente importante. Precisamos cuidar de nós mesmos e daqueles que são nossos, pois a família para mim é a coisa mais importante. Então eu, particularmente, me adaptei muito bem ao fato de ter que ficar em casa e até gostei!

Entrevistadora: Você e sua família conseguiram respeitar as normas de combate ao coronavírus e ficar em casa? Alguma dificuldade?

João Sá: Certamente a gente gosta de sair, mas nós nos adaptamos perfeitamente, eu acho que nós temos que cumprir com as regras sanitárias que são muito importantes para esse momento. Não podemos ignorar o fato de que é mais fácil a gente proteger a nós e aqueles que nos rodeiam, que estão à nossa volta, do que contrair essa doença e ter que fazer um tratamento e, assim, passar por momentos difíceis. Por isso, nos alegra sabermos que estamos fazendo a coisa certa e praticando essas regras que são determinadas pela área de saúde. É o melhor para nós, sempre estarmos nos cuidando e ficando em casa perante essas condições, então isso é muito importante para gente.

Entrevistadora: Você conhece pessoas que desrespeitam essas normas de distanciamento? O que acha sobre isso?

João Sá: Olha, sobre desrespeitar o distanciamento eu vejo que é uma falta muito grave, pois nós desconhecemos a capacidade que essa doença tem de afetar a nossa saúde, não sabemos a gravidade dessa doença. A perda de um familiar ou de um amigo mexe conosco profundamente, então desrespeitar as regras é não amar as pessoas e não amar a si próprio. Porque quando nós não obedecemos alguma regra nós estamos dando lugar ao azar, então nós precisamos preservar a nossa condição física e a nossa saúde como um todo, assim como a dos nossos familiares.

"Por isso, é importante a conscientização! A pessoa que não obedece essas regras, embora conscientizada, ela se torna uma pessoa — ao meu entender — irresponsável. Então, é uma irresponsabilidade nós sabermos que podemos levar uma tragédia para uma família e mesmo assim não nos importarmos com isso. A vida não tem preço, portanto é extremamente importante a pessoa se conscientizar e obedecer essas regras. Enfim, eu entendo que é um desrespeito ao ser humano e à sociedade, essa é a minha maneira de pensar."

Entrevistadora: Você já foi vacinado contra o covid? Se sim, você pode nos contar qual vacina foi, como foi a sua vacinação e se você teve alguma reação?

João Sá: Sim, eu tomei a vacina AstraZeneca. No meu primeiro dia eu tive algumas reações, eu senti dores no corpo e à noite não consegui dormir bem, tive um pouco de febre e fiquei no outro dia da mesma forma. Mas foi apenas esse período, passei praticamente um dia e meio ruim. Essa vacina eu tomei aqui em Jacareí, nos postos de vacina.

"Eu achei de grande importância e valia, porque nós necessitamos dessa vacina, ela é extremamente importante para o combate à transmissão do covid, visto que nós não temos nenhum medicamento eficaz, a não ser a vacina para a imunização. Por isso, eu senti maior confiança após esse período de vacinação, pois é necessário mais ou menos um mês para atingir um certo grau de imunidade. Eu vou tomar a segunda dose em meados de julho, três meses depois da primeira dose. E eu acredito que a segunda dose já não tenha o mesmo impacto que a primeira, com relação aos sintomas e às reações."

"Enfim, ao meu ver a vacina é muito importante e é a nossa esperança."

Entrevistadora: Você ou alguém da sua família já teve o Covid-19?

João Sá: Bom, em determinado momento eu pensei que havia pego covid e até mesmo cheguei a fazer o teste, mas deu negativo. Na minha família tiveram alguns sobrinhos que contraíram o Covid-19, mas não houve nada grave, graças a Deus, e todos conseguiram superar esse vírus e se recuperarem. Mas sim, eu tive vários parentes que tiveram o coronavírus.

Entrevistadora: Muito obrigada por ter feito essa entrevista comigo, João, fico muito feliz pela sua ajuda e participação! Eu tenho apenas uma última pergunta: Você tem alguma coisa que deseja dizer aos leitores desta matéria e às pessoas que estão enfrentando dificuldades durante a quarentena?

João Sá: Em primeiro lugar, eu fico muito contente e agradeço pela oportunidade de estar ajudando e contribuindo com esta pesquisa. Eu quero dizer às pessoas que passaram e estão passando por problemas durante esse período difícil, que infelizmente nós não temos nem palavras para descrever essa situação, porque há muito sofrimento e angústia, muitas famílias passando por grandes lutas e perdas.

"A perda de uma vida não tem preço e por isso é muito importante que as pessoas estejam realmente se preservando para evitar o contágio, e que todos possam contribuir para que essa doença não se propague, seguindo os procedimentos que são definidos pela área de saúde. A quarentena também é importante para evitar a propagação desse vírus, assim como também o isolamento social é fundamental e eficaz em muitos aspectos."

"Além disso, é necessário preservar uma determinada classe da sociedade, principalmente a classe dos idosos, que é um grupo muito grande no país, e pessoas que são a renda de uma família, até mesmo porque tem muitos pais que estão deixando os filhos órfãos e quem vai cuidar são os avós."

"Portanto, é importante as pessoas que já perderam familiares terem essa consciência de que não somente o cuidado, como também a preservação daqueles que os rodeiam é a maior preocupação. A família no geral precisa estar unida nessa hora para superar tudo isso que está acontecendo, as perdas e tudo o mais."

 

Foto: Reprodução/Eloisa Vitória
Foto: Reprodução/Eloisa Vitória
O entrevistado (João Sá) com a entrevistadora (Eloisa Vitória).


Com supervisão de Giovana Colela, jornalista do Grupo Meon. 

Escrito por
ELOISA VITORIA (Arquivo Pessoal)
Eloisa Vitória de Oliveira

3º ano do Ensino Médio - Colégio Embraer Juarez Wanderley - São José dos Campos.

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