Poema: Canto silencioso

“O canto parece silencioso, se passam anos e ninguém vem me libertar. Querido mundo, por que sempre tão penoso? só queria me soltar”

Escrito por: Victória Rafaela de Oliveira Santana1 min de leitura
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Acordei,

Coloquei as roupas,

A maquiagem,

As máscaras,

Tudo que tampa o que sou:

Mulher.

Me preparei para escutar os passarinhos assoviando,

Não sei o que pensam com tanto canto.

Cantam minhas pernas, braços, seios, cantam meu corpo,

Cantam sua (falsa) liberdade, à medida que tiram a minha,

Tiram-me o direito de sair livremente, me prendendo a uma gaiola,

Cujas grades se manifestam em minhas roupas,

Nos comentários do quão terrível sou por não aguentar a cantoria,

(Feche a boca, escute e sorria).

Sou mulher,

Todo dia sigo uma melodia,

Desafinada, sangram-me os ouvidos,

Mas sou mulher,

Devo escutar com alegria,

Estrangula-me a pele,

Sufoco, sem sentir o ar,

(Parem, parem já! Não consigo respirar)

Se um pássaro me canta,

Se me chama para o canto,

A culpa é minha,

Todos afirmam, em tamanha cantoria:

“Se ela quisesse poderia evitar”

O canto parece silencioso, se passam anos e ninguém vem me libertar,

(Querido mundo, por que sempre tão penoso? só queria me soltar)

Meu corpo: regra dos pássaros

Prisão domiciliar,

A sentença: me perder em todas essas leis até meu último suspirar.

  Com supervisão de Yeda Vasconcelos, jornalista do Meon Jovem. 

Victória Rafaela de Oliveira Santana
Victória Rafaela de Oliveira Santana

2º ano do Ensino Médio - Colégio Embraer Juarez Wanderley - São José dos Campos

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